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	<title>Arquivo Digital &#124; Emerson Tiago &#187; Música</title>
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	<description>Informação, Colaboração e Melhores Práticas.</description>
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		<title>Max de Castro e Yaniel Matos</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Feb 2009 23:15:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>emersontiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Max de Castro]]></category>
		<category><![CDATA[Yaniel Matos]]></category>

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		<description><![CDATA[Ol&#225; pessoal, meu primeiro post do ano e gostaria de compartilhar com voc&#234;s mais um super show que tive a oportunidade de assitir, este show aconteceu no SESC Santana em dezembro do ano passado, n&#227;o havia postado as imagens pois n&#227;o estava satisfeito com o resultado mais pesando bem,&#160; a lembran&#231;a tamb&#233;m &#233; um belo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225; pessoal, meu primeiro post do ano e gostaria de compartilhar com voc&#234;s mais um super show que tive a oportunidade de assitir, este show aconteceu no <a href="http://www.sescsp.org.br" target="_blank">SESC Santana</a> em dezembro do ano passado, n&#227;o havia postado as imagens pois n&#227;o estava satisfeito com o resultado mais pesando bem,&#160; a lembran&#231;a tamb&#233;m &#233; um belo registro.</p>
<p><a href="http://www.emersontiago.com/blog/wp-content/uploads/2009/02/031.jpg"><img height="253" alt="Max de Castro e Yaniel Matos" src="http://www.emersontiago.com/blog/wp-content/uploads/2009/02/03-thumb1.jpg" width="380" /></a>     <br /><font color="#ffffff">Max de Castro e Yaniel Matos, SESC Santana</font>&#160;</p>
<p>Eu n&#227;o conhecia o trabalho do <a href="http://www.myspace.com/yanielmatos" target="_blank">Yaniel Matos</a> e me surpreendi com a&#160; performance deste cubano, junto com <a href="http://trama.uol.com.br/max/" target="_blank">Max de Castro</a> tocaram m&#250;sicas de ambos os repert&#243;rios, muito bom mesmo !     </p>
<p><a href="http://www.emersontiago.com/blog/fotografia/show-max-de-castro-e-yaniel-matos-sesc-santana/">Clique aqui para ver as fotos do show</a></p>
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		<title>Bebel Gilberto, o show.</title>
		<link>http://www.emersontiago.com/blog/2008/11/13/bebel_gilberto_show-2/</link>
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		<pubDate>Fri, 14 Nov 2008 02:17:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>emersontiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Bebel Gilberto]]></category>
		<category><![CDATA[Bossa Nova]]></category>

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		<description><![CDATA[Olá pessoal, na última terça-feira estive no SESC Pinheiros e tive a oportunidade de ver um show formidável, o show Momento de Bebel Gilberto, a performance da Bebel no palco realmente é fantástica, ela é muito sensual, voz impecável e um repertório repleto de boas músicas.

Bebel Gilberto no palco do SESC Pinheiros
A banda dispensa comentários, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá pessoal, na última terça-feira estive no <a target="_blank" href="http://www.sescsp.org.br/sesc/busca/index.cfm?UnidadesDirector=57">SESC Pinheiros</a> e tive a oportunidade de ver um show formidável, o show <font color="#ffffff">Momento de Bebel Gilberto</font>, a performance da Bebel no palco realmente é fantástica, ela é muito sensual, voz impecável e um repertório repleto de boas músicas.</p>
<p><img border="0" width="380" src="http://www.emersontiago.com/blog/wp-content/uploads/2008/11/01.jpg" alt="Bebel Gilberto" height="254" /><br />
<font size="1" color="#ffffff">Bebel Gilberto no palco do SESC Pinheiros</font></p>
<p>A banda dispensa comentários, todos tocam muito, quanto eu escutava os cd&#8217;s ficava imaginando como aquela proposta sonora era possível e como aquilo ficaria ao vivo e podem acreditar Bebel e sua trupi tocam demais.</p>
<p>Na minha opinião, destaque para as músicas:</p>
<p><font color="#ffffff">Momento<br />
Aganjú<br />
Samba da Benção<br />
Simplesmente</font></p>
<p><a href="http://www.emersontiago.com/blog/fotografia/_show-bebel-gilberto-sesc-pinheiros/">Clique aqui para ver as fotos do show</a></p>
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		<title>Tom Jobim, o Mito</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Nov 2008 11:33:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>emersontiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Bossa Nova]]></category>

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		<description><![CDATA[Ol&#225; pessoal, dando sequ&#234;ncia aos textos em homenagem ao cinquenten&#225;rio da Bossa Nova, um texto sobre a vida e obra de Tom Jobim, o mito.     
&#160; 

O in&#237;cio 
Vinte e cinco de janeiro de 1927: Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim veio ao mundo com quase 60cm de comprimento e pesando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225; pessoal, dando sequ&#234;ncia aos textos em homenagem ao <font color="#ffffff">cinquenten&#225;rio da Bossa Nova</font>, um texto sobre a vida e obra de Tom Jobim, o mito.     </p>
<p>&#160;<img height="221" alt="Tom Jobim" src="http://www.emersontiago.com/blog/wp-content/uploads/2008/11/tom-jobim.jpg" width="374" border="0" /> </p>
<p><span id="more-251"></span></p>
<h3><b>O in&#237;cio</b> </h3>
<p>Vinte e cinco de janeiro de 1927: <font color="#ffffff">Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim</font> veio ao mundo com quase 60cm de comprimento e pesando quatro quilos. Ainda crian&#231;a mudou com a fam&#237;lia para Ipanema e depois para Copacabana. Aos 14 anos, deparou-se com um piano na garagem de casa. Era o piano que mudaria sua vida. Por achar que piano era &#8220;<font color="#ffffff">coisa de mocinha</font>&#8221;, Tom aproximou-se do teclado com uma certa cautela, combinando notas de brincadeira. Quando se deu conta, j&#225; estava fisgado. &#192;s vezes tinha aulas durante dez horas seguidas. Al&#233;m de piano, aprendeu flauta, harm&#244;nica de boca e viol&#227;o, chegando a formar um conjunto de gaitistas do qual tamb&#233;m fazia parte Newton Mendon&#231;a, que seria o primeiro grande parceiro de Tom.
<p>Louco para se casar com Thereza Otero Hermanny, Tom partiu em busca de uma profiss&#227;o mais segura. Bom de desenho, fez vestibular para arquitetura, s&#243; que n&#227;o conseguiu ir al&#233;m do primeiro ano do curso. Sem dinheiro, resolveu ganhar algum com aquilo que sabia fazer de melhor. Por interm&#233;dio do amigo da fam&#237;lia Alceu Bocchino, maestro diretor da R&#225;dio Clube do Brasil, arrumou emprego como pianista daquela emissora, que logo acumulou com outro no Bar Michel. </p>
<p>Tom Jobim passou pelas principais casas noturnas do Rio com um repert&#243;rio bem ecl&#233;tico: sambas, boleros, foxes, rumbas, can&#231;&#245;es francesas, tangos. Mas sabia que aquilo n&#227;o o levaria para lugar algum, ent&#227;o resolveu aperfei&#231;oar seus estudos lendo os &#8220;<font color="#ffffff">Princ&#237;pios de Orquestra&#231;&#227;o</font>&#8221;, do compositor russo Rimsky-Korsakov, e decorando os arranjos de Glenn Miller nos 78 rota&#231;&#245;es de sua cole&#231;&#227;o. Mais tarde, tomaria aulas de orquestra&#231;&#227;o com Leo Peracchi e Tom&#225;s de Ter&#225;n.</p>
<p><img style="margin: 0px 0px 10px 15px" alt="Tom Jobim" src="http://bossabrasilradio.com/fotos/17497_tomjobim2.jpg" align="right" border="1" /></p>
<p>Por interm&#233;dio do m&#250;sico <font color="#ffffff">Alcides Fernandes</font>, marido da faxineira dos Jobim, Tom foi trabalhar na Editora Euterpe, escrevendo arranjos para pequenos conjuntos. Logo estava na gravadora Continental, onde se ocuparia de colocar em pentagramas as m&#250;sicas de autores que compunham apenas de ouvido e fazer arranjos e orquestra&#231;&#245;es para <font color="#ffffff">Dalva de Oliveira</font>, <font color="#ffffff">Orlando Silva</font>, <font color="#ffffff">Elizeth Cardoso</font> e <font color="#ffffff">Dick Farney</font>. O arranjador oficial da gravadora era <font color="#ffffff">Radam&#233;s Gnatalli</font>, grande pianista, regente e compositor, que adotou Tom como seu mais ilustre afilhado musical. &#192;quela altura, o Tom j&#225; tinha um filho, Paulo, nascido em 4 de agosto de 1950.     <br />Em abril de 1953, Tom estreou em disco como compositor, com o samba-can&#231;&#227;o &#8220;Incerteza&#8221;, parceria com Newton Mendon&#231;a, gravado por Mauricy Moura, disc&#237;pulo de Silvio Caldas. Mas foi no ano seguinte que saboreou seu primeiro sucesso: &#8220;Tereza da Praia&#8221;, samba-can&#231;&#227;o composto de parceria com Billy Blanco, gravada por L&#250;cio Alves e Dick Farney. </p>
<p>Em 54, a Continental passou a produzir LPs de dez polegadas, tornando poss&#237;vel registrar em disco os onze movimentos de uma sinfonia, burilada a quatro m&#227;os com Billy Blanco. Era uma exalta&#231;&#227;o ao Rio, falando do mar, das montanhas, do sol e do cotidiano da cidade, com arranjos de Gnatalli e can&#231;&#245;es interpretadas por artistas consagrados como Farney, L&#250;cio, Elizeth Cardoso, D&#243;ris Monteiro, Os Cariocas, Jorge Goulart, Nora Ney e Emilinha Borba. &#8220;Sinfonia do Rio de Janeiro&#8221; n&#227;o entrou nas paradas de sucesso mas consolidou a reputa&#231;&#227;o de Tom como o mais promissor talento de sua gera&#231;&#227;o.</p>
<p><img style="margin: 0px 10px 10px 0px" alt="Tom e Vinicius" src="http://bossabrasilradio.com/fotos/17497_tomjobim3.jpg" align="left" border="1" /></p>
<p>O encontro definitivo entre Tom e Vin&#237;cius de Moraes foi <font color="#ffffff">no bar Villari&#241;o, no centro do Rio</font>, em 1956, gra&#231;as a L&#250;cio Rangel, velho amigo do poeta. Vin&#237;cius procurava algu&#233;m para compor a m&#250;sica de uma &#243;pera negra carioca, intitulada &#8220;<font color="#ffffff">Orfeu da Concei&#231;&#227;o</font>&#8221;, transposi&#231;&#227;o do mito de Orfeu para uma favela, e foi pedir sugest&#245;es a Rangel, que indicou Tom. Foi assim que nasceu uma das amizades mais instant&#226;neas, fraternais, prol&#237;ficas e duradouras da hist&#243;ria da m&#250;sica popular brasileira. Logo a parceria Tom e Vin&#237;cius produzia a obra-prima &#8220;<font color="#ffffff">Se Todos Fossem Iguais a Voc&#234;</font>&#8221;. </p>
<p>&#8220;Orfeu da Concei&#231;&#227;o&#8221; estrearia no Theatro Municipal do Rio de Janeiro no dia 25 de setembro de 1956, com lota&#231;&#227;o esgotada. A imprensa reagiu com entusiasmo e, em seguida, a trilha sonora do espet&#225;culo foi lan&#231;ada pela Odeon. </p>
<p>Depois, Tom estreou na televis&#227;o, no programa &#8220;Noite de Gala&#8221;, da TV Rio, com o maestro Osvaldo Borba; ganhou o pr&#234;mio de melhor compositor da Prefeitura do ent&#227;o Distrito Federal; e viu nascer sua filha Elizabeth, no dia 26 de agosto. Corria o ano de 1957 quando reencontrou Jo&#227;o Gilberto, que chegou mostrando duas composi&#231;&#245;es in&#233;ditas: &#8220;<font color="#ffffff">Bim-Bom</font>&#8221; e &#8220;<font color="#ffffff">Oba-l&#225;-l&#225;</font>&#8221;. Impressionado com a batida diferente do viol&#227;o do Jo&#227;o, Tom nem prestou aten&#231;&#227;o nas letras. Era por aquela batida que a Bossa Nova estava esperando para poder nascer.</p>
<p>&#160;</p>
<h3><b>A Bossa Nova</b> </h3>
<p>Em 1958, Elizeth Cardoso aceita gravar um LP s&#243; com temas de Tom &amp; Vin&#237;cius e o maestro inclui Jo&#227;o Gilberto e sua batida nas faixas &#8220;<font color="#ffffff">Chega de Saudade</font>&#8221; e &#8220;<font color="#ffffff">Outra Vez</font>&#8221;. Gravado no est&#250;dio da Columbia, &#8220;<font color="#ffffff">Can&#231;&#227;o do Amor Demais</font>&#8221;, o LP marcou o lan&#231;amento oficial da Bossa Nova, at&#233; porque dele fazia parte o samba-manifesto &#8220;Desafinado&#8221;.
<p>Ao longo de 1959, Tom come&#231;a a pensar numa nova sinfonia, encomendada pelo presidente Juscelino Kubitschek em homenagem a Bras&#237;lia, a nova capital do pa&#237;s, que seria inaugurada em 1961. Nesse meio tempo, Jo&#227;o Gilberto lan&#231;ou seu segundo LP, &#8220;O Amor, o Sorriso e a Flor&#8221;, com seis composi&#231;&#245;es de Tom, tr&#234;s das quais em parceria com Newton Mendon&#231;a: &#8220;Medita&#231;&#227;o&#8221;, &#8220;Discuss&#227;o&#8221; e o paradigm&#225;tico &#8220;<font color="#ffffff">Samba de uma Nota S&#243;</font>&#8221;, que se transformaria numa esp&#233;cie de hino da Bossa Nova. </p>
<p>Ao palco Tom s&#243; retornaria em meados de 1962, no memor&#225;vel show &#8220;Encontro&#8221;, ao lado de Vin&#237;cius, Jo&#227;o Gilberto e o conjunto Os Cariocas, na boate Au Bon Gourmet. L&#225; foram lan&#231;ados cinco dos maiores cl&#225;ssicos da Bossa Nova: &#8220;<font color="#ffffff">S&#243; Dan&#231;o Samba</font>&#8221;, de Tom e Vin&#237;cius; &#8220;<font color="#ffffff">Samba do Avi&#227;o</font>&#8221;, de Tom; &#8220;<font color="#ffffff">Samba da B&#234;n&#231;&#227;o</font>&#8221; e &#8220;O Astronauta&#8221;, de Baden e Vin&#237;cius; e, por fim, o maior sucesso da dupla Tom-Vin&#237;cius, &#8220;<font color="#ffffff">Garota de Ipanema</font>&#8221;, que s&#243; sairia em disco no ano seguinte.</p>
<p>&#160;</p>
</p>
<h3><b>A carreira internacional</b>     <br /></h3>
<p> Gravado por artistas norte-americanos como o saxofonista <font color="#ffffff">Stan Getz</font>, o guitarrista <font color="#ffffff">Charlie Byrd</font>, o polivalente <font color="#ffffff">Quincy Jones</font> e o trompetista <font color="#ffffff">Dizzy Gillespie</font>, n&#227;o dava mais para evitar o inevit&#225;vel: a Bossa Nova fez dos Estados Unidos a sua segunda p&#225;tria. <font color="#ffffff">A apresenta&#231;&#227;o oficial da Bossa Nova aos americanos foi no dia 21 de novembro de 1962, no Carnegie Hall de Nova York</font>. Doze dias ap&#243;s o show, Tom apresentou-se no templo jazz&#237;stico nova-iorquino The Village Gate e, logo depois, no Listener&#8217;s Auditorium, em Washington, diante de duas mil pessoas, entre as quais o cr&#237;tico de m&#250;sica do jornal &#8220;Washington Post&#8221;, que o cobriu de elogios.
</p>
<p>Para a Verve gravou seu primeiro disco americano, o instrumental &#8220;<font color="#ffffff">Antonio Carlos Jobim&#8212;The Composer of Desafinado Plays&#8221;,</font> acompanhado de grande orquestra, e solou ao piano nos LPs &#8220;Jazz Samba Encore!&#8221; &#8211; com Stan Getz, Luiz Bonf&#225; e Maria Helena Toledo &#8211; e &#8220;Getz/Gilberto&#8221; &#8211; com Getz, Jo&#226;o Gilberto e Astrud Gilberto. </p>
<p>Depois de participar do LP &#8220;Bossa Nova York&#8221;, com S&#233;rgio Mendes, Art Farmer, Phil Woods e Hubert Laws, aceitou um encontro com Dorival Caymmi e os filhos do compositor baiano: Danilo, Nana e Dori. &#8220;Caymmi Visita Tom&#8221; marcaria a estr&#233;ia de Tom como cantor, em disco. Quando 1964 chegou ao fim, Tom recebeu tr&#234;s pr&#234;mios Grammy: pela autoria de &#8220;Desafinado&#8221; e &#8220;Garota de Ipanema&#8221; e pelos arranjos de &#8220;Brazil&#8217;s Brilliant Jo&#227;o Gilberto&#8221;.</p>
<p><img style="margin: 0px 10px 10px 0px" alt="Tom e Frank Sinatra" src="http://bossabrasilradio.com/fotos/17497_tomjobim4.jpg" align="left" border="1" /></p>
<p>De volta aos Estados Unidos, Tom aproveitou a temporada para realizar um sonho de todo m&#250;sico de sua gera&#231;&#227;o: gravar um disco com <font color="#ffffff">Nelson Riddle, o arranjador favorito de Frank Sinatra</font>. Meses depois, Tom recebeu o mais surpreendente telefonema de sua vida. Do outro lado da linha, ningu&#233;m menos que <font color="#ffffff">Frank Sinatra</font>. &#8220;The Voice&#8221; queria gravar um disco s&#243; com m&#250;sicas de Tom, que topou na hora. Foi uma conversa curta.</p>
<p>No in&#237;cio de 1967, come&#231;aram as grava&#231;&#245;es de &#8220;<font color="#ffffff">Albert Francis Sinatra &amp; Antonio Carlos Jobim</font>&#8221;, que seria eleito pela cr&#237;tica americana &#8220;o &#225;lbum do ano&#8221;. Um segundo disco com os dois seria gravado dois anos depois, com o t&#237;tulo de &#8220;Sinatra &amp; Company&#8221;.</p>
<p>Em seguida, Sinatra convidou Tom para participar de um especial sobre ele, &#8220;A Man and His Music&#8221;, para a rede de televis&#227;o NBC. Sinatra, ali&#225;s, abriu o programa cantando &#8220;Corcovado&#8221;. Quando o especial com Sinatra foi ao ar, em novembro de 67, Tom j&#225; havia computado outro feito hist&#243;rico: sua primeira parceria com <font color="#ffffff">Chico Buarque, &#8220;Retrato em Branco e Preto</font>&#8221;, que l&#225; fora, em vers&#227;o instrumental, j&#225; era conhecida com o t&#237;tulo de &#8220;Zingaro&#8221;. Por uns tempos, Chico Buarque seria o novo Vin&#237;cius de Tom. Inclusive, a m&#250;sica &#8220;Sabi&#225;&#8221;, parceria deles, venceu o III Festival Internacional da Can&#231;&#227;o. </p>
<p>&#160;</p>
<h3><b>Ditadura e ecologia</b>     <br /></h3>
<p> No festival seguinte, v&#225;rios artistas decidiram boicotar o evento. Tom adere ao boicote, entra para a lista negra da ditadura militar e &#233; preso &#8220;para prestar depoimentos&#8221;. A situa&#231;&#227;o pol&#237;tica do pa&#237;s se agravava e Tom encontrou sua v&#225;lvula de escape na tela, compondo trilhas musicais para filmes brasileiros (&#8220;A Casa Assassinada&#8221;, pela qual seria premiado no Festival de Cinema Brasileiro de Bras&#237;lia em 1971) e estrangeiros (&#8220;Os Aventureiros&#8221;, cujos temas escreveu numa luxuosa casa de tr&#234;s andares em Londres, alugada pela Paramount).
</p>
<p><img style="margin: 0px 0px 10px 15px" alt="Tom e Elis" src="http://bossabrasilradio.com/fotos/17497_tomjobim5.jpg" align="right" border="1" /></p>
<p>Em seguida, veio a fase ecol&#243;gica, em que lan&#231;ou &#8220;<font color="#ffffff">&#193;guas de Mar&#231;o</font>&#8221; e dois LPs com nomes de p&#225;ssaros, &#8220;Matita Per&#234;&#8221; e &#8220;Urubu&#8221;, recheados de can&#231;&#245;es inspiradas ou voltadas para a natureza, como &#8220;Sabi&#225;&#8221;, &#8220;Tempo do Mar&#8221;, &#8220;Rancho nas Nuvens&#8221;, &#8220;Nuvens Douradas&#8221;, &#8220;Boto&#8221; e &#8220;Correnteza&#8221;. &#8220;&#193;guas de Mar&#231;o&#8221;, lan&#231;ada em 72, se transformaria num dos mais instant&#226;neos e retumbantes sucessos do compositor. S&#243; naquele ano, a nova obra-prima de Tom ganharia quase dez int&#233;rpretes, no Brasil e na Am&#233;rica, nenhuma t&#227;o elogiada quanto a de Elis Regina em dueto com o autor, no LP &#8220;<font color="#ffffff">Elis &amp; Tom</font>&#8221;. </p>
<p>No mesmo ano em que gravou o fundamental &#8220;Urubu&#8221;, Tom conheceu Ana Beatriz Lontra, fot&#243;grafa de 19 anos. Empolgou-se como um adolescente, cobriu-a de versos galantes, mas s&#243; come&#231;aram a namorar depois que Tom afinal separou-se de Thereza, em 1977. Em pouco tempo, Ana se ligaria ao namorado tamb&#233;m profissionalmente, integrando um coral familiar por ele montado para um show no Canec&#227;o, com mais tr&#234;s estrelas: Vin&#237;cius de Moraes, Toquinho e Mi&#250;cha. Ao lado de Ana, a filha de Tom, Beth, e tr&#234;s irm&#227;s de Chico, Pii, Cristina e Bahia. O espet&#225;culo ficou oito meses em cartaz no Canec&#227;o, rumando para S&#227;o Paulo, Uruguai, Fran&#231;a (fez dez apresenta&#231;&#245;es no Olympia de Paris), It&#225;lia e Su&#237;&#231;a.</p>
<p>Nos quatro anos seguintes, Tom lan&#231;ou o &#225;lbum duplo &#8220;Terra Brasilis&#8221;; reatou sua parceria com Chico Buarque; teve seu primeiro filho com Ana, Jo&#227;o Francisco; dividiu um disco com Edu Lobo (&#8220;Tom &amp; Edu, Edu &amp; Tom&#8221;); e ganhou o pr&#234;mio Shell de melhor compositor de 1982.</p>
</p>
<p>&#160;</p>
</p>
<h3>Homenagens, TV e Cinema    <br /></h3>
<p> No come&#231;o da d&#233;cada de 80, Tom foi homenageado num especial em quatro programas na TV Manchete. Em 1984, foi nomeado conselheiro cultural do Estado do Rio de Janeiro pelo vice-governador Darcy Ribeiro; A valsa &#8220;Lu&#237;za&#8221; foi tema da telenovela &#8220;Brilhante&#8221; e &#8220;Passarim&#8221;, uma das m&#250;sicas que comp&#244;s para a miniss&#233;rie &#8220;O Tempo e o Vento&#8221;. Para o filme de Arnaldo Jabor, &#8220;Eu Te Amo&#8221;, Tom fez uma valsa hom&#244;nima, de parceria com Chico Buarque. Mas em &#8220;Gabriela&#8221; (1982), &#8220;Para Viver um Grande Amor&#8221; (1983) e &#8220;Fonte da Saudade&#8221; (1985) sua participa&#231;&#227;o foi muito al&#233;m do tema principal.
</p>
</p>
<p>Outras trilhas sonoras para o cinema, contudo, tiveram de ser recusadas ou adiadas para que o maestro pudesse atender a um convite irrecus&#225;vel: tocar acompanhado da ORF Sinfonietta de Viena, na Wienner Konzerthausgeselschaft. Receoso de um descompasso, pediu para levar o cantor e flautista Danilo Caymmi, o filho Paulo Jobim, o baixista Ti&#227;o Neto e o baterista Paulo Braga.</p>
<p>Dispensou os metais, substituindo-os por vozes femininas, as de Ana e Beth Jobim e Simone, mulher de Danilo. Estava formada a Banda Nova, que, logo acrescida do violoncelista Jaques Morelenbaum, sua mulher, Paula, e Ma&#250;cha Adnet, faria sucesso durante dez anos, inclusive fora do Brasil, sempre acompanhando o seu criador. </p>
<p>Em 1985, Tom voltou ao <font color="#ffffff">Carnegie Hall</font>, abrindo uma longa temporada de shows, alguns no Brasil, outros na Europa, Canad&#225;, Jap&#227;o e de novo Estados Unidos. Entre uma viagem e outra, ainda encontrou tempo para receber a comenda de Grand Commandeur des Arts et des Lettres do governo franc&#234;s, entregue, pessoalmente, em Bras&#237;lia, pelo ministro da Cultura da Fran&#231;a, Jack Lang; para terminar a m&#250;sica da miniss&#233;rie da TV Globo, &quot;<font color="#ffffff">Anos Dourados</font>&quot;; e iniciar as grava&#231;&#245;es do LP &quot;Passarim&quot;, pelo qual ganharia o seu primeiro disco de ouro.</p>
<p>Em 1987, Tom, j&#225; sexagen&#225;rio, foi pai mais uma vez com Maria Lu&#237;za, sua filha com Ana Jobim, e ganhou homenagem aos seus 60 anos da TV Globo, que lhe dedicou um especial, &quot;Ant&#244;nio, o Brasileiro&quot;, gravado no Brasil e nos Estados Unidos. Em 1988, chegou &#224;s livrarias uma colet&#226;nea de textos e poemas de Tom, editada pela Express&#227;o e Cultura, &quot;Jardim Bot&#226;nico do Rio de Janeiro&#8221;.</p>
<p><a href="http://bossabrasilradio.com/"><img style="margin: 0px 10px 10px 0px" alt="Tom Jobim" src="http://bossabrasilradio.com/fotos/17497_tomjobim6.jpg" align="left" border="0" /></a></p>
<p>Para celebrar o jubileu de prata da grava&#231;&#227;o de Astrud de &#8220;Garota de Ipanema&#8221;, montou-se no Carnegie Hall uma grande festa na noite de 15 de mar&#231;o de 1989. Em 25 anos, &#8220;<font color="#ffffff">Garota de Ipanema&#8221; ultrapassara as tr&#234;s milh&#245;es de execu&#231;&#245;es em emissoras de r&#225;dio e televis&#227;o</font>, fazendo de Tom o segundo autor estrangeiro mais executado nos Estados Unidos. Apesar de tr&#234;s grandes perdas afetivas naquele per&#237;odo (Vinicius, em julho de 1980, a m&#227;e em novembro de 1989 e o tio Marcelo algumas semanas depois), a d&#233;cada de 80 fechou de forma auspiciosa para Tom Jobim. A de 90 seria dedicada, em grande parte, a apresenta&#231;&#245;es em p&#250;blico no Brasil e turn&#234;s pelo mundo.</p>
<p>Janeiro de 1990 come&#231;ou, para ele, com um show em homenagem a Vinicius, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, seguido de outro, com Milton Nascimento e Chico Buarque, marcando a inaugura&#231;&#227;o da Universidade Livre da M&#250;sica, em S&#227;o Paulo, para a qual Tom foi nomeado reitor e depois, presidente de seu Conselho Diretor. </p>
<p>Quando, nos primeiros dias de fevereiro, lan&#231;aram no Brasil o disco &#8220;Fam&#237;lia Jobim&#8221;, ele j&#225; estava de volta a Nova York, onde ficaria quatro meses, s&#243; retornando para participar do Festival de Inverno de Campos de Jord&#227;o, no interior de S&#227;o Paulo, e num espet&#225;culo montado por Roberto de Oliveira, no Memorial da Am&#233;rica Latina, na capital paulista. </p>
<p>Em novembro, dividiu com Caetano Veloso o palco, os aplausos e o pr&#234;mio Tenco do Festival de San Remo, na It&#225;lia. Convidado pelo compositor <font color="#ffffff">Sammy Cahn</font>, ingressou no fechad&#237;ssimo <font color="#ffffff">Hall of Fame da m&#250;sica popular americana</font>. De volta ao Rio, em dezembro, apresentou-se no Scala, do Rio, onde oficialmente foram lan&#231;ados os tr&#234;s volumes do Songbook editado pela Lumiar, de Almir Chediak.</p>
<p>&#160;</p>
<h3><b>Tom cai no samba</b>     <br /></h3>
<p> Em 1991, Tom participou de um show no gin&#225;sio Ibirapuera no dia de anivers&#225;rio da cidade de S&#227;o Paulo. Para que os cariocas n&#227;o ficassem com ci&#250;mes, acertou com a prefeitura do Rio um espet&#225;culo pelos 426 anos da cidade, em 1&#186; de mar&#231;o, na ponta do Arpoador, praia de sua inf&#226;ncia.
</p>
<p>Algumas semanas mais tarde, subiria outra vez ao palco do Carnegie Hall para participar de um encontro musical em prol da Funda&#231;&#227;o Mata Virgem, organiza&#231;&#227;o n&#227;o-governamental criada por Sting. No segundo semestre, comp&#244;s &#8220;Querida&#8221; para a novela &#8220;O Dono do Mundo&#8221; e se apresentou no Canec&#227;o, Rio de Janeiro, no Teatro Guararapes, de Recife, no Riocentro (com a fam&#237;lia Caymmi) e na <font color="#ffffff">quadra da Mangueira</font>, para arrecadar fundos para o pr&#243;ximo desfile carnavalesco da escola.</p>
<p>Tom tinha um interesse especial no pr&#243;ximo desfile da Mangueira, afinal de contas, ele era o tema de seu samba-enredo, &#8220;<font color="#ffffff">Se Todos Fossem Iguais a Voc&#234;</font>&#8221;. Entusiasmado com a homenagem, retribuiu com um samba, &#8220;<font color="#ffffff">Piano na Mangueira</font>&#8221;, composto de parceria com Chico Buarque. Novas emo&#231;&#245;es em p&#250;blico o esperavam nos meses que se seguiram ao desfile no Samb&#243;dromo: shows na Espanha e em Portugal; o grand finale da Rio Eco-92, no Est&#225;dio de Remo da Lagoa Rodrigo de Freitas; e um espet&#225;culo em torno do m&#250;sico belga Toots Thielemans em Los Angeles. </p>
<p>Culminando, em dezembro, com um reencontro de Tom e Jo&#227;o Gilberto, no palco do <font color="#ffffff">Teatro Municipal do Rio</font> e do Palace, em S&#227;o Paulo, para comemorar os 30 anos do primeiro concerto de bossa nova no Carnegie Hall, que se transformou no especial de fim de ano da TV Globo.</p>
<p>&#160;</p>
<h3>A despedida    <br /></h3>
<p> Com um tributo &#224; sua obra, no Free Jazz Festival, de que participaram Herbie Hancock, Shirley Horn, Ron Carter, Joe Henderson, Gonzalo Rubalcaba, Jon Hendricks, Gal Costa e Oscar Castro Neves, e um novo disco, Tom encerrou a temporada de 1993. O novo disco, &#8220;Antonio Brasileiro&#8221;, com participa&#231;&#245;es especiais de Dorival Caymmi e Sting, tamb&#233;m seria o &#250;ltimo de sua carreira. Parecia mesmo uma despedida, com a presen&#231;a recorde de familiares: al&#233;m dos habituais (Ana, Paulo e Beth), o neto Daniel e a filha Maria Lu&#237;za, de sete anos, cantando com o pai &#8220;<font color="#ffffff">Samba Para Maria Luiza</font>&#8221;. O disco s&#243; seria lan&#231;ado em novembro de 1994.
<p><img style="margin: 0px 10px 10px 0px" alt="Tom Jobim" src="http://bossabrasilradio.com/fotos/17497_tomjobim7.jpg" align="left" border="1" /></p>
<p>Em duas noites seguidas de abril, Tom reapareceu no Carnegie Hall: na primeira, para comemorar os 50 anos da Verve, na companhia de Pat Metheny, Joe Henderson, Charles Haden e Al Foster; na segunda, para promover a Rainforest Foundation, ao lado de <font color="#ffffff">Sting, Elton John e Luciano Pavarotti</font>. Em maio, daria, em Jerusal&#233;m, seu &#250;ltimo espet&#225;culo, passando os quatro meses seguintes no Rio, onde preferiu gravar a faixa (&#8220;<font color="#ffffff">Fly Me To the Moon</font>&#8221;) que lhe coube no segundo disco de duetos de Frank Sinatra, &#8220;Duets II&#8221;. Em 15 de setembro, tr&#234;s dias ap&#243;s gravar sua parte no dueto com Sinatra, viajou at&#233; Nova York para submeter-se a uma angioplastia e avaliar o grau de comprometimento de seu sistema circulat&#243;rio. Num dos v&#225;rios exames a que Tom se submeteu, detectaram um tumor maligno em sua bexiga&#8212;e uma cirurgia foi marcada para o dia 6 de dezembro, no Mount Sinai Medical Center.</p>
<p>No dia 8, enquanto convalescia da cirurgia, teve uma parada card&#237;aca, &#224;s 8h. A segunda, duas horas depois, provocada por uma embolia pulmonar, lhe seria fatal.</p>
<p>O corpo de Tom Jobim desembarcou no Rio no dia 9 e foi velado no Jardim Bot&#226;nico, dali seguindo para o cemit&#233;rio de S&#227;o Jo&#227;o Batista, ap&#243;s desfilar em cortejo pela cidade que ele tanto amou e cantou em suas can&#231;&#245;es.    </p>
<p>texto de Carla Paes Leme</p>
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		<title>Bebel Gilberto em S&#227;o Paulo</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Nov 2008 13:18:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>emersontiago</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Após percorrer o mundo com o novo show &#8216;Momento&#8217;, com passagem pelo Brasil no ano passado, Bebel Gilberto retorna à São Paulo para três únicas apresentações. A estréia será no domingo dia 09 de novembro, no SESC Campinas, com shows também nos dias 11 e 12 de novembro, no SESC Pinheiros. &#8220;Momento&#8221; é também o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Após percorrer o mundo com o novo show &#8216;Momento&#8217;, com passagem pelo Brasil no ano passado, Bebel Gilberto retorna à São Paulo para três únicas apresentações. A estréia será no domingo dia <font color="#ffffff"><strong>09 de novembro, no SESC Campinas</strong></font>, com shows também nos dias <font color="#ffffff"><strong>11 e 12 de novembro, no SESC Pinheiros</strong></font>. &#8220;Momento&#8221; é também o CD homônimo de Bebel Gilberto, lançado no início do ano passado nos Estados Unidos e Europa. No Brasil, a Sony BMG distribuiu o disco, apontado pela crítica como o trabalho mais maduro da carreira da cantora.</p>
<p><img border="0" width="380" src="http://www.emersontiago.com/blog/wp-content/uploads/2008/11/bebel-gilberto.jpg" alt="Bebel Gilberto" height="257" /></p>
<p><strong><font color="#ffffff"><a target="_blank" href="http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=142395">SESC Campinas</a></font><br />
</strong>Dia(s) 09/11 Domingo, às 19h.</p>
<p><a target="_blank" href="http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=142208"><strong>SESC Pinheiros</strong></a><br />
Dia(s) 11/11, 12/11 Terça e quarta, 21h.</p>
<p>Maiores Informações<br />
<a target="_blank" href="http://www.bebelgilberto.com">http://www.bebelgilberto.com</a></p>
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		<title>Vinicius de Moraes, o branco mais preto do Brasil</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Sep 2008 01:08:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>emersontiago</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Bossa Nova]]></category>

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		<description><![CDATA[Ol&#225; pessoal, em homenagem ao cinquenten&#225;rio da Bossa Nova um texto super interessante sobre a obra e vida de Vin&#237;cius.
 

Poeta, compositor, cantor, cineasta, diplomata, algu&#233;m que sabia curtir a vida e ser feliz a cada momento. Esse era o poetinha Vinicius de Moraes, chamado assim n&#227;o por ser um poeta menor, mas porque chamava [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225; pessoal, em homenagem ao <font color="#ffffff">cinquenten&#225;rio</font> da Bossa Nova um texto super interessante sobre a obra e vida de Vin&#237;cius.</p>
<p><img height="429" alt="vinicius_moraes_02" src="http://www.emersontiago.com/blog/wp-content/uploads/2008/09/vinicius-moraes-02.jpg" width="380" border="0" /> </p>
<p><span id="more-216"></span></p>
<p>Poeta, compositor, cantor, cineasta, diplomata, algu&#233;m que sabia curtir a vida e ser feliz a cada momento. Esse era o <font color="#ffffff">poetinha</font> <b><font color="#ffffff">Vinicius de Moraes</font></b>, chamado assim n&#227;o por ser um poeta menor, mas porque chamava todos, carinhosamente, pelos diminutivos. </p>
<p>Nascido na madrugada do dia 19 de outubro de 1913, Vin&#237;cius come&#231;a a compor aos 13 anos, quando forma um pequeno conjunto musical que atua em festinhas nas casas de amigos e conhecidos. Nessa &#233;poca, <font color="#ffffff">Vin&#237;cius j&#225; &#233; o terror das meninas e namora, invariavelmente, todas as amigas de sua irm&#227; Laetitia</font>. </p>
<p>Aos 17 anos, Vin&#237;cius entra para a faculdade de Direito da rua do Catete e um ano depois, para o Centro de Prepara&#231;&#227;o de Oficiais da Reserva. Em 1933, forma-se advogado, termina o curso do CPOR e publica seu primeiro livro, <font color="#ffffff">&#8220;<i>O caminho para a dist&#226;ncia</i>&#8221;</font>. </p>
<p>Em 1935, Vinicius de Moraes publica &#8220;<i><font color="#ffffff">Forma e exegese</font></i>&#8221;, com o qual ganha o pr&#234;mio Felipe d&#8217;Oliveira. No ano seguinte, substitui Prudente de Morais Neto como representante do Minist&#233;rio da Educa&#231;&#227;o junto &#224; Censura Cinematogr&#225;fica, e conhece Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, dos quais se torna amigo. Em 1938, publica novos poemas e &#233; agraciado com a primeira bolsa do Conselho Brit&#226;nico para estudar l&#237;ngua e literatura inglesas na Universidade de Oxford.</p>
<p>Em 1939, o poeta casa-se com Beatriz Azevedo de Mello e volta da Inglaterra por causa da Segunda Grande Guerra Mundial. Dois anos mais tarde, come&#231;a a escrever cr&#237;ticas cinematogr&#225;ficas para o jornal A Manh&#227; e a colaborar no Suplemento Liter&#225;rio. Em 1942, faz uma extensa viagem ao Nordeste do Brasil acompanhando o escritor americano Waldo Frank. A viagem muda radicalmente a vis&#227;o pol&#237;tica de Vin&#237;cius, tornando-o um antifacista convicto. <font color="#ffffff">Na estada em Recife, conhece o poeta Jo&#227;o Cabral de Melo Neto, de quem se tornaria, depois, grande amigo</font>.</p>
<p>Em 1943, Vinicius de Moares publica &#8220;<i>Cinco elegias</i>&#8221;, em edi&#231;&#227;o mandada fazer por Manuel Bandeira, An&#237;bal Machado e Ot&#225;vio de Faria, e ingressa, por concurso, na carreira diplom&#225;tica. No ano seguinte, dirige o Suplemento Liter&#225;rio de O Jornal, onde lan&#231;a, entre outros, Oscar Niemeyer e Pedro Nava em colunas assinadas, e publica desenhos de artistas pl&#225;sticos at&#233; ent&#227;o pouco conhecidos, como Carlos Scliar. </p>
<p>Em 1946, Vinicius parte para Los Angeles, como vice-c&#244;nsul, em seu primeiro posto diplom&#225;tico e publica &#8220;<i>Poemas, sonetos e baladas</i>&quot;. <font color="#ffffff">Em 1950, vai ao M&#233;xico visitar o amigo Pablo Neruda, poeta chileno gravemente enfermo</font>. Um ano mais tarde, casa-se com Lila Maria Esquerdo e B&#244;scoli e come&#231;a a colaborar no jornal &#218;ltima Hora como cronista di&#225;rio e cr&#237;tico de cinema. Em 53, Vin&#237;cius comp&#245;e seu primeiro samba, m&#250;sica e letra, &quot;<i>Quando tu passas por mim</i>&quot;, e parte para Paris como segundo secret&#225;rio da Embaixada Brasileira. </p>
<p>No ano seguinte, sai a primeira edi&#231;&#227;o de sua Antologia Po&#233;tica e a revista Anhembi publica sua pe&#231;a &#8220;<i><font color="#ffffff">Orfeu da Concei&#231;&#227;o</font></i>&#8221;, premiada no concurso de teatro do IV Centen&#225;rio do Estado de S&#227;o Paulo. Um ano depois, passa a trabalhar no roteiro do filme &#8220;<i><font color="#ffffff">Orfeu Negro</font></i>&#8221;. Paralelamente aos trabalhos da produ&#231;&#227;o do filme, resolve encenar sua pe&#231;a &quot;<i>Orfeu da Concei&#231;&#227;o</i>&quot;, no Teatro Municipal, que aparece tamb&#233;m em edi&#231;&#227;o comemorativa de luxo, ilustrada por Carlos Scliar. <font color="#ffffff">Convida, ent&#227;o, Ant&#244;nio Carlos Jobim para fazer a m&#250;sica do espet&#225;culo, iniciando com ele a parceria que, logo depois, com a inclus&#227;o do cantor e violonista Jo&#227;o Gilberto, daria in&#237;cio &#224; bossa nova</font>.</p>
<p>Em 1957, Vinicius &#233; transferido da Embaixada em Paris para a Delega&#231;&#227;o do Brasil junto &#224; UNESCO. No fim do ano, &#233; removido para Montevid&#233;u, regressando, em tr&#226;nsito, ao Brasil. Publica a primeira edi&#231;&#227;o de seu Livro de Sonetos, em edi&#231;&#227;o de Livros de Portugal. No ano seguinte, depois de um grave acidente de autom&#243;vel, ele se casa com Maria L&#250;cia Proen&#231;a. Nessa &#233;poca, sai o LP &#8220;<i><font color="#ffffff">Can&#231;&#227;o do Amor Demais</font></i>&#8221;, de m&#250;sicas suas com Ant&#244;nio Carlos Jobim, cantadas por Elizete Cardoso. No disco ouve-se, pela primeira vez, a batida da bossa nova no viol&#227;o de Jo&#227;o Gilberto, que acompanha a cantora em algumas faixas, entre as quais o samba &quot;<i><font color="#ffffff">Chega de Saudade</font></i>&quot;, considerado o marco inicial do movimento. </p>
<p>Vinicius &#233; sucesso tamb&#233;m no cinema em 59, quando o filme &#8220;<i>Orfeu negro</i>&#8221; ganha a Palma de Ouro no Festival de Cannes, o Globo de Ouro e o Oscar como melhor filme estrangeiro. Dois anos mais tarde, Vinicius come&#231;a a compor com Carlos Lira e Pixinguinha, e um ano depois com Baden Powell, dando inicio &#224; s&#233;rie de afro-sambas, entre os quais, &quot;<i><font color="#ffffff">Berimbau</font></i>&quot; e &quot;<i><font color="#ffffff">Canto de Ossanha</font></i>&quot;. Ainda em 62, o poeta se une a Carlos Lyra para compor as can&#231;&#245;es de sua com&#233;dia-musicada &#8220;<i>Pobre menina rica</i>&#8221;. No mesmo ano, Vin&#237;cius grava, como cantor, seu disco com a atriz e cantora Odete Lara e faz seu primeiro show com Ant&#244;nio Carlos Jobim e Jo&#227;o Gilberto, na boate Au Bon Gourmet, que daria in&#237;cio aos chamados pocket-shows, e onde foram lan&#231;ados grandes sucessos internacionais como &quot;<i><font color="#ffffff">Garota de Ipanema</font></i>&quot; e o &quot;<i><font color="#ffffff">Samba da b&#234;n&#231;&#227;o</font></i>&quot;. </p>
<p>Em 1963, mais um casamento, desta vez com Nelita Abreu Rocha. Em seguida, Vinicius parte na delega&#231;&#227;o do Brasil junto &#224; UNESCO para Paris, de onde volta um ano depois. Em 66, s&#227;o feitos document&#225;rios sobre o poeta pelas televis&#245;es americana, alem&#227;, italiana e francesa. Seu &quot;<i><font color="#ffffff">Samba da b&#234;n&#231;&#227;o</font></i>&quot;, de parceria com Baden Powell, &#233; inclu&#237;do, em vers&#227;o do compositor e ator Pierre Barouh, no filme &#8220;<i>Um homem, uma mulher</i>&#8221;, que acaba vencendo o Festival de Cannes. </p>
<p><font color="#ffffff">A carreira diplom&#225;tica de Vinicius de Moraes encerra-se em 1969, quando &#233; exonerado do Itamaraty</font>. Em seguida, casa-se novamente. A nova esposa &#233; Cristina Gurj&#227;o, logo substitu&#237;da pela atriz baiana Gesse Gessy em 1970, quando o poetinha inicia a parceria com Toquinho. Em 71, muda-se para Bahia e viaja pra It&#225;lia com Toquinho, onde gravam o LP &#8220;<i><font color="#ffffff">Per vivere un grande amore</font></i>&#8221;. Na It&#225;lia, a dupla grava ainda mais dois discos. Em 76, o s&#233;timo casamento. A escolhida &#233; Marta Rodrigues Santamaria. Em 77, um show hist&#243;rico no Canec&#227;o com Toquinho, Tom Jobim e Mi&#250;cha. No mesmo ano, grava um LP em Paris, com Toquinho, com quem excursiona pela Europa. <font color="#ffffff">Em Paris, conhece Gilda de Queir&#243;s Mattoso, com quem se casa pela oitava vez</font>. </p>
<p><font color="#ffffff">Em 1979, Vinicius l&#234; poemas no Sindicato dos Metal&#250;rgicos de S&#227;o Bernardo, a convite do l&#237;der sindical Lu&#237;s In&#225;cio da Silva</font>. Voltando de viagem &#224; Europa, sofre um derrame cerebral no avi&#227;o e acaba perdendo os originais de Roteiro l&#237;rico e sentimental da Cidade de S&#227;o Sebasti&#227;o do Rio de Janeiro. No dia 17 de abril de 1980 &#233; operado para a instala&#231;&#227;o de um dreno cerebral, e na manh&#227; de 9 de julho, j&#225; em casa, na G&#225;vea, morre de edema pulmonar em companhia de Toquinho e de Gilda Mattoso.</p>
<p><b><font color="#ffffff">Discografia</font></b></p>
<p>&quot;Vin&#237;cius e Odete Lara&quot; (1963) Elenco LP   <br />&quot;Vin&#237;cius e Caymmi no Zum Zum&quot; (1964) Elenco LP    <br />&quot;Vin&#237;cius: Poesia e can&#231;&#227;o&quot; (1966) Forma LP    <br />&quot;Os afro sambas de Baden e Vin&#237;cius&quot; (1966) Forma LP    <br />&quot;Vin&#237;cius em Portugal&quot; (1969) Festa LP    <br />&quot;Vin&#237;cius de Moraes en &quot;La Fusa&quot; com Maria Creuza e Toquinho&quot; (1970) Diorama LP    <br />&quot;Como dizia o poeta. Vin&#237;cius, Toquinho e Mar&#237;lia Medalha&quot; (1971) RGE LP    <br />&quot;Maria Beth&#226;nia, Vin&#237;cius de Moraes e Toquinho&quot; (1971) EMI LP    <br />&quot;Toquinho e Vin&#237;cius&quot; (1971) RGE LP    <br />&quot;S&#227;o demais os perigos dessa vida&quot; (1972) RGE LP    <br />&quot;Vin&#237;cius canta Nossa filha Gabriela&quot; (1972) Polydor LP    <br />&quot;Vin&#237;cius e Toquinho&quot; (1974) Philips LP    <br />&quot;Toquinho/Vin&#237;cius e amigos&quot; (1974) RGE LP    <br />&quot;Toquinho e Vin&#237;cius. O poeta e o viol&#227;o&quot; (1975) RGE LP    <br />&quot;Vin&#237;cius e Toquinho&quot; (1975) Philips LP    <br />&quot;Ornella Vanoni, Vin&#237;cius de Moraes e Toquinho. La voglia la Pazzia, L&#8217;incoscienza e L&#8217;allegria&quot; (1976) RCA Victor LP    <br />&quot;Vin&#237;cius: Antologia po&#233;tica&quot; (1977) Philips LP    <br />&quot;Tom/Vin&#237;cius/Toquinho/Mi&#250;cha. Ao vivo no Canec&#227;o&quot; (1977) Som Livre LP    <br />&quot;Am&#225;lia/Vinicius&quot; (1978) Decca LP    <br />&quot;O grande encontro de Maria Creuza, Vin&#237;cius de Moraes e Mar&#237;lia Medalha. Gala 79&quot; (1979) Som Livre LP    <br />&quot;Marcus Vin&#237;cius da Cruz de Mello Moraes&quot; (1980) Som Livre LP    <br />&quot;Toquinho e Vin&#237;cius. Um pouco de ilus&#227;o&quot; (1980) Ariola LP    <br />&quot;Testamento&quot; (1980) REE LP    <br />&quot;Saravah&quot; (1980) Barclay LP    <br />&quot;A Arca de No&#233;&quot; (1980) Ariola LP    <br />&quot;Arca de No&#233; 2&quot; (1981) Ariola LP    <br />&quot;A hist&#243;ria dos shows inesquec&#237;veis. Poeta, mo&#231;a e viol&#227;o&quot; (1991) Collector&#8217;s Editora CD triplo </p>
<p><img height="388" alt="" src="http://www.emersontiago.com/blog/wp-content/uploads/2008/09/vinicius-moraes-04.jpg" width="380" border="0" />    <br /><font color="#ffffff"><strong>O boa pra&#231;a Vinicius de Moraes</strong></font> </p>
<p>&#160;</p>
<p><img height="412" alt="" src="http://www.emersontiago.com/blog/wp-content/uploads/2008/09/vinicius-moraes-05.jpg" width="380" border="0" />    <br /><font color="#ffffff"><strong>O g&#234;nio Vinicius de Moraes</strong></font></p>
<p>&#160;</p>
<p><img height="429" alt="" src="http://www.emersontiago.com/blog/wp-content/uploads/2008/09/vinicius-moraes-06.jpg" width="380" border="0" />    <br /><font color="#ffffff"><strong>Vinicius de Moraes o poeta</strong></font></p>
<p>&#160;</p>
<p><img height="429" alt="" src="http://www.emersontiago.com/blog/wp-content/uploads/2008/09/vinicius-moraes-07.jpg" width="380" border="0" />    <br /><font color="#ffffff"><strong>Vinicius de Moraes o conquistador</strong></font></p>
<p>&#160;</p>
<p><img height="290" alt="" src="http://www.emersontiago.com/blog/wp-content/uploads/2008/09/vinicius-moraes-01.jpg" width="380" border="0" />    <br /><font color="#ffffff"><strong>Vinicius e o parceiro Tom Jobim</strong></font></p>
<p>&#160;</p>
<p><img height="255" alt="" src="http://www.emersontiago.com/blog/wp-content/uploads/2008/09/vinicius-moraes-toquinho-08.jpg" width="380" border="0" />    <br /><font color="#ffffff"><strong>Vinicius e Toquinho</strong></font></p>
<p>texto de Carla Paes Leme&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; </p>
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		<title>Bossa Nova, quando e como tudo come&#231;ou.</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Sep 2008 01:47:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>emersontiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Bossa Nova]]></category>

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		<description><![CDATA[A palavra &#8216;bossa&#8216; era um termo da g&#237;ria carioca que, no fim dos anos cinq&#252;enta , significava &#8216;jeito&#8217;, &#8216;maneira&#8217;, &#8216;modo&#8217;. Quando algu&#233;m fazia algo de modo diferente, original, de maneira f&#225;cil e simples, dizia-se que esse algu&#233;m tinha &#8216;bossa&#8217;. Se o Emerson desenhava bem, dizia-se que tinha &#8216;bossa de arquiteto&#8217;. Se o Paulo escrevia, redigia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A palavra &#8216;<font color="#ffffff">bossa</font>&#8216; era um termo da g&#237;ria carioca que, no fim dos anos cinq&#252;enta ,<font color="#ffffff"> significava &#8216;jeito&#8217;, &#8216;maneira&#8217;, &#8216;modo&#8217;</font>. Quando algu&#233;m fazia algo de modo diferente, original, de maneira f&#225;cil e simples, <font color="#ffffff">dizia-se que esse algu&#233;m tinha &#8216;bossa&#8217;</font>. Se o Emerson desenhava bem, dizia-se que tinha &#8216;bossa de arquiteto&#8217;. Se o Paulo escrevia, redigia bem, tinha &#8216;bossa de jornalista&#8217;. E <font color="#ffffff">a express&#227;o &#8216;Bossa Nova&#8217; surgiu em oposi&#231;&#227;o a tudo o que um grupo de jovens achava superado, velho, arcaico, antigo</font>. Sim, mas o qu&#234; era julgado superado e velho, na m&#250;sica popular brasileira? &#8216;Tudo&#8217;,&#160; dizia a mocidade bronzeada de Copacabana. </p>
<p><span id="more-187"></span><br />
A tristeza e melancolia das letras, a repeti&#231;&#227;o dos ritmos &#8216;abolerados&#8217; e dos &#8217;sambas-can&#231;&#227;o&#8217;; era tudo a mesma coisa, n&#227;o obstante os grandes cantores da &#233;poca: Nelson Gon&#231;alves, Orlando Silva, Carlos Galhardo. Lindas valsas e serestas? Sim, e da&#237;? Da&#237; &#233; que algo tinha de ser feito.
</p>
<p>Diferentes harmonias, poesias mais simples, novos ritmos. &#8211; Ritmo &#233; batida, como do rel&#243;gio, do pulso, do cora&#231;&#227;o-&#160; E <font color="#ffffff">Bossa Nova &#233; batida diferente do viol&#227;o, poesia diferente das letras, cantores diferentes dos mestres</font>. A Bossa Nova n&#227;o seria melhor nem pior. Seria completamente diferente de tudo, mais intimista, mais refinada, mais alegre, otimista. Diferente. N&#227;o come&#231;ou especificamente num lugar, numa rua, num evento, num Festival. <font color="#ffffff">A rigor, ela n&#227;o &#233; nem um g&#234;nero musical. &#201; o tratamento que se d&#225; a uma m&#250;sica, em termos de &#8216;batida&#8217; e de ritmo.</font></p>
<p>O primeiro grande marco inicial da Bossa Nova aconteceu em primeiro de mar&#231;o de 1958,quando Jo&#227;o Gilberto cantou, com a batida de viol&#227;o diferente, &#8216;Chega de Saudade&#8217;, posteriormente gravada por Eliseth Cardoso, no disco &#8216;Can&#231;&#227;o do amor demais&#8217;. Em 1956, ningu&#233;m falava em Bossa Nova, mas o apartamento onde morava Nara Le&#227;o, <font color="#ffffff">no Edif&#237;cio <em>Pal&#225;cio Champs Elys&#233;e</em>, em frente ao Posto 4, j&#225; era ponto de reuni&#227;o dos rapazes bronzeados de Copacabana: Carlos Lyra, Roberto Menescal, Ronaldo Boscoli e outros. N&#227;o se compunham m&#250;sicas ali. Ouviam-se. E trocavam id&#233;ias.</font></p>
<p>S&#243; no ano seguinte, em 1957, Jo&#227;o Gilberto chegou ao Rio e, certa noite, foi &#224; casa de Roberto Menescal, na Galeria do mesmo nome, em Copacabana. E aconteceu o grande encontro: O ritmo encontrou a m&#250;sica e a poesia.</p>
<h3><font color="#ffffff">O Grande Encontro: Jo&#227;o Gilberto e Roberto Menescal</font></h3>
<p>- Tem um viol&#227;o a&#237;? Eu sou o Jo&#227;o Gilberto. Pod&#237;amos tocar alguma coisa.</p>
<p>Menescal, surpreso com &quot;aquela figura esquisita&quot;, mandou-o entrar.</p>
<p>J&#225; ouvira falar num &quot;baiano meio louco, genial, afinad&#237;ssimo,&quot; que &#224;s vezes aparecia no Plaza, na Rua Princesa Isabel, por volta de 1957.</p>
<p>Carlos Lyra j&#225; conhecia &quot;aquela figura&quot;.</p>
<p>Casa cheia. Menescal levou o baiano para o quarto dos fundos. Curioso. Viol&#227;o examinado e devidamente afinado, Jo&#227;o come&#231;ou a cantar &quot;H&#244;&#8211;ba-la-la&quot;, de sua autoria. Uma esp&#233;cie de beguine &#8211; musica caribenha j&#225; esquecida. Menescal n&#227;o entendeu nada da letra. Mas quem se importava com letra? <font color="#ffffff">A voz do &quot;cara&quot; era um instrumento! Um trombone da melhor qualidade. E Jo&#227;o Gilberto n&#227;o parecia cantar. Dizia as letras, num sussurro, mal abrindo os l&#225;bios. E repetiu o estranh&#237;ssimo &quot;Ho-ba-la-la&quot; cinco ou seis vezes, cada uma de maneira diferente, mas com a mesma batida</font>.</p>
<p><img height="348" alt="Jo&#227;o Gilberto" src="http://www.emersontiago.com/blog/wp-content/uploads/2008/09/joo-gilberto.jpg" width="300" border="0" />     <br /><font color="#ffffff"><strong>Jo&#227;o Gilberto</strong></font></p>
<p>A mesma bossa. Quase ningu&#233;m conhecia Jo&#227;o Gilberto, no Rio, em 1957, principalmente os mais jovens. Quem ele era, o que fazia, como aprendera viol&#227;o, como cantar daquele jeito diferente. Sabia-se, vagamente, que viera da Bahia pra cantar num conjunto, mas n&#227;o se adaptara. E cantava esporadicamente, na noite do Rio. Fascinado, Menescal resolveu &quot;mostrar sua descoberta&quot; aos amigos.</p>
<p>E saiu com o baiano a tiracolo.</p>
<p>Com viol&#227;o e tudo.</p>
<p>Come&#231;ou pelo apartamento de Ronaldo B&#244;scoli, na rua Otaviano Hudson, onde Jo&#227;o Gilberto cantou &quot;Ho-ba-la-la&quot; muitas vezes.</p>
<p>E cantou outra can&#231;&#227;o muito estranha, chamada &quot;Bim-Bom&quot;.</p>
<h3><font color="#ffffff">A &quot;pr&#233;-Bossa Nova&quot; de Dick Farney</font></h3>
<p><img style="margin: 0px 10px 0px 0px" height="179" alt="Dick Farney" src="http://www.emersontiago.com/blog/wp-content/uploads/2008/09/dick-farney.jpg" width="200" align="left" border="0" /> O mestre Jo&#227;o Gilberto abriu os ouvidos de Menescal e B&#244;scoli para uma m&#250;sica que at&#233; ent&#227;o desconheciam. O dia amanhecia quando chegaram os tr&#234;s ao apartamento da Nara Le&#227;o, onde &quot;o show&quot; foi repetido mais uma vez.</p>
<p>E o grupo partiu para a Urca, onde morava Ana Lu.<font color="#ffffff"> Fascinado, Roberto Menescal queria aprender aquela &quot;batida&quot; diferente e n&#227;o tirava os olhos das m&#227;os de Jo&#227;o Gilberto</font>. E era professor de viol&#227;o, como o Carlos Lyra. E a voz? O baiano explicou como conseguia soltar &quot;um monte&quot; de frases num &#250;nico f&#244;lego. <font color="#ffffff">&quot;Reza a lenda&quot; que Jo&#227;o Gilberto admirava muito a respira&#231;&#227;o de Dick Farney, que j&#225; cantava uma esp&#233;cie de &quot;pr&#233;-bossa nova&quot;</font>. E, mesmo fumando dois ma&#231;os de cigarros por dia, tinha uma t&#233;cnica muito especial, em termos de respira&#231;&#227;o. Sinatra, claro, era o guru maior. Ensinou ao mestre que ensinou ao professor. Talvez Jo&#227;o Gilberto nem soubesse que Sinatra era mestre em respira&#231;&#227;o. <font color="#ffffff">Seus mestres eram mesmo os yogues indianos. O baiano era muito estranho!</font></p>
<p>Com o nome de <font color="#ffffff">Farn&#233;sio Dutra</font> cantor algum conseguiria ser conhecido, mesmo com o enorme charme que encantava as meninas, &#224; &#233;poca da Segunda Guerra Mundial.</p>
<p><font color="#ffffff">Assim, um rapaz de 24 anos tornou-se Dick Farney &#8211; charme, voz, eleg&#226;ncia, bom gosto &quot;pra dar vender&quot;, como se dizia. Esbanjava talento no Cassino da Urca, no tempo em que o jogo era permitido</font>. Ele tinha gravado &quot;Copacabana&quot;, pela Continental, em 1942, de&#160; Jo&#227;o de Barro, o nosso querido &quot;Braguinha&quot;. Sucesso absoluto que ouve-se at&#233; hoje, nas r&#225;dios de bom gosto.</p>
<p>Mas Dick queria mais, muito mais. Seu &quot;papa&quot; era Frank Sinatra, &quot;<em>The Voice</em>&quot;. Nele se inspirava para cantar, gesticular, andar no palco, estar sempre de gravata e cabelo bem penteado. J&#225; o chamavam de <font color="#ffffff">&quot;O Sinatra Brasileiro&quot; e havia at&#233; um Fan Clube, de carteirinha e tudo: &quot;<em>Sinatra-Farney Fan Club</em>&quot;</font>.</p>
<p>Aos vinte e cinco anos foi para os Estados Unidos para tentar cantar e gravar em ingl&#234;s, levando um contrato inicial de cinq&#252;enta e duas semanas com a Cadeia de Radio NBC. E n&#227;o &#233; que deu certo? Gravou um grande sucesso da &#233;poca: &quot;Tenderly&quot;. Nos dois anos seguintes a Continental lan&#231;ou outros sucessos, cl&#225;ssicos como &quot;Ser ou n&#227;o ser&quot;, &quot;Marina&quot; e &quot;Esquece&quot;.</p>
<p>Eram os anos 1947 e 1948, quando voltou para o Brasil &#8211; n&#227;o sem antes ser elogiado pessoalmente pelo maior cantor do s&#233;culo: Francis Albert Sinatra. Como escreveu Ruy Castro, em rela&#231;&#227;o a Frank Sinatra, ouso repetir a frase com rela&#231;&#227;o a Dick Farney: <font color="#ffffff">&quot;N&#227;o creio que o s&#233;culo vinte tenha fundos para resgatar sua d&#237;vida emocional para com Dick Farney&quot;</font>. Ele emocionou milh&#245;es de cora&#231;&#245;es com &quot;Somos Dois&quot;, &quot;Marina&quot;, &quot;Copacabana&quot;, &quot;Nick Bar&quot;, &quot;Aeromo&#231;a&quot;, &quot;N&#227;o tem Solu&#231;&#227;o&quot;, &quot;A saudade mata a gente&quot;, &quot;Tereza da Praia&quot;, &quot;Uma loira&quot;, &quot;Um Cantinho e Voc&#234;&quot; e tantas outras belezas!</p>
<h3><font color="#ffffff">Os bronzeados      <br />rapazes de Copacabana</font></h3>
<p>Em 1956, pressionado pela familia, Menescal teve que &quot;deixar a boa vida&quot; de pesca submarina, viol&#227;o e milk shake. E veio o conflito natural de todo jovem: a escolha da profiss&#227;o. N&#227;o sabia se, continuando a tradi&#231;&#227;o familiar, faria o vestibular para Arquitetura, se entrava para a Marinha (onde havia muitos &quot;barquinhos&quot; e muito peixe pra pescar), ou continuava a aprender viol&#227;o com o Edinho, do Trio Irakitan, para desgosto dos pais.</p>
<p><img height="296" alt="menescal" src="http://www.emersontiago.com/blog/wp-content/uploads/2008/09/menescal.jpg" width="380" border="0" />     <br /><strong><font color="#ffffff">Roberto Menescal</font></strong></p>
<p>Falsificando a carteira de estudante, come&#231;ava a invadir os lugares da noite carioca, fascinado pelo Tito Madi e pela Sylvinha Telles.</p>
<p>Fascinado tamb&#233;m pelo disco &quot;Julie is her name&quot;, onde um tal de Barney Kessel &quot;destro&#231;ava&quot; um tremendo viol&#227;o!</p>
<p>Preocupados, os pais observavam o fanatismo do Menescal, que cursava o &#250;ltimo ano do Curso Cient&#237;fico do Col&#233;gio Mello e Souza, na Rua Xavier da Silveira.</p>
<p>Ele soube que no Col&#233;gio Mallet Soares, na mesma rua, um tal de Carlos Lyra j&#225; tocava viol&#227;o por cifra, quase profissional. Muitos alunos, e at&#233; professores, &quot;matavam aula&quot; pra ouvir o viol&#227;o do Carlos Lyra, que j&#225; gravara duas m&#250;sicas. Sem o conhecimento dos pais, Menescal rapidamente pediu transfer&#234;ncia para o Mallet Soares. Queria ficar perto do mestre das harmonias.</p>
<p>Era 1956. <font color="#ffffff">Os pais de Menescal, como todos os pais, n&#227;o aceitavam o viol&#227;o, de jeito nenhum. Era &quot;instrumento de bo&#234;mio irrespons&#225;vel&quot;</font>. E, coitado do Menescal, que n&#227;o tinha nada de bo&#234;mio. N&#227;o fumava. S&#243; bebia milk shake. Com a mesada cortada pelos pais preocupados, o nosso Menescal teria que virar-se. Sem dinheiro para o milk shake, prop&#244;s ao Carlinhos Lyra abrirem uma Academia de Viol&#227;o. Mais que depressa, Carlos Lyra aceitou, louco pra se livrar dos desvelos de sua super-m&#227;e.</p>
<h3><font color="#ffffff">Hist&#243;rias no apartamento da Rua S&#225; Ferreira</font></h3>
<p>Jo&#227;o Paulo, amigo de Carlos Lyra, tinha um pequeno apartamento na Rua S&#225; Ferreira, para &quot;encontros furtivos&quot;.</p>
<p>Sabendo que os dois &quot;professores&quot; planejavam montar uma Escola de Viol&#227;o prop&#244;s-lhes o seguinte:</p>
<p>- Voc&#234;s me pagam 10% do que receberem dos alunos e a &quot;Academia&quot; pode come&#231;ar. Fica estabelecido que os &quot;encontros&quot; est&#227;o automaticamente suspensos.</p>
<p>Negocio fechado. E o que parecia uma aventura come&#231;ou a dar bons frutos. Aluno n&#227;o faltava, s&#243; que a grande maioria era composta de alunas. As m&#227;es zelosas come&#231;aram a desconfiar do repentino interesse de suas filhas pelo viol&#227;o. E logo souberam da verdade: Os professores eram &quot;dois tremendos boas pinta&quot;.</p>
<p>Mas&#8230; neg&#243;cio &#233; neg&#243;cio e os professores faziam quest&#227;o de manter a Academia nos r&#237;gidos padr&#245;es de respeito &#224;s alunas, principalmente o Roberto Menescal.</p>
<p>Sucesso absoluto. Em poucas semanas j&#225; havia quase cinq&#252;enta alunas, inclusive a Nara Le&#227;o, em cujo apartamento aconteciam as reuni&#245;es t&#227;o famosas.</p>
<p>Carlinhos Lyra, que j&#225; tinha composto sua primeira m&#250;sica [e letra], &quot;Quando chegares&quot; [1954], tinha na pra&#231;a as m&#250;sicas &quot;Menino&quot; e &quot;Foi a noite&quot;, gravadas pela Silvinha Telles. Ficou independente das &quot;mesadas maternas&quot;.</p>
<p>Enquanto dava aulas de viol&#227;o, Carlos Lyra , em 1956, &quot;estoura&quot; com seu primeiro grande sucesso: &quot;Maria Ningu&#233;m&quot;. <font color="#ffffff">Mal sabia que seria uma das m&#250;sicas favoritas de Jaqueline Kennedy que cantava &quot;Maria Nobody&quot;!</font></p>
<p>Da&#237; em diante foi s&#243; sucesso. O mestre Tom Jobim afirmava que Carlos Lyra era autor das melhores harmonias. Em 1962 ele estava no famoso Concerto de Bossa Nova, no Carnegie Hall, de Nova York. Uma tremenda desorganiza&#231;&#227;o que fez a Bossa ultrapassar fronteiras e ganhar o mundo. Nesse mesmo ano comp&#245;e com o mestre Vinicius o musical &quot;Pobre Menina Rica&quot;.</p>
<p>Carlos Lyra perguntava ao Vinicius de Moraes:</p>
<p>- Mas, Vinicius, como pode uma menina da Vieira Souto se apaixonar por um mendigo?</p>
<p>E o nosso &quot;poetinha&quot; retrucou:</p>
<p>- &#201; primavera!&#160; &#201; primavera!</p>
<p>Nesse musical est&#227;o duas obras primas de poesia e m&#250;sica: &quot;Minha namorada&quot; e &quot;Primavera&quot;. Sem d&#250;vida, duas das mais belas obras da nossa MPB.</p>
<h3><font color="#ffffff">Ronaldo B&#244;scoli encontra      <br />Roberto Menescal e come&#231;a uma parceria de primeira qualidade</font></h3>
<p>Era 1956. Numa roda de viol&#227;o, na G&#225;vea, Menescal encontrou um grupo de rapazes cantando &quot;coisas diferentes&quot;. Um deles tentava cantar m&#250;sicas de Dick Farney, o que j&#225; era atestado de bom gosto. Era um rep&#243;rter do jornal &quot;&#218;ltima Hora&quot; chamado Ronaldo B&#244;scoli. E cantava muito mal. Conversa vai, conversa vem, viram que tinham muita coisa em comum: Detestavam a tristeza das m&#250;sicas que &#224; &#233;poca pareciam &quot;dor de cotovelo&quot;. A exemplo de Dick Farney, adoravam Frank Sinatra. O forte do Menescal sempre foi a m&#250;sica. O do B&#244;scoli,&#160; a letra.</p>
<p>Marcaram um encontro que n&#227;o houve, mas no segundo, na casa de Nara, os dois disseram &quot;presente&quot;. J&#225; era 1957 e a &quot;Academia do Viol&#227;o&quot; estava fechada,&quot;por motivo de for&#231;a maior&quot;.</p>
<p>Ronaldo B&#244;scoli levou Chico Feitosa, (com quem dividia um apartamento) &#224;s famosas reuni&#245;es em casa de Nara. Chico j&#225; era parceiro de B&#244;scoli na can&#231;&#227;o &quot;Fim de noite&quot; e o nosso Ronaldo acabou instalado na casa de Nara, gra&#231;as &#224; extrema bondade dos pais da futura <font color="#ffffff">&quot;musa da bossa nova&quot;.</font> Ele tinha 28 anos e ela apenas 20. Nara e os pais se encantaram com o h&#243;spede. Charmoso, inteligente e, como ela, muito t&#237;mido, o que aumentava a atra&#231;&#227;o. J&#225; sa&#237;am juntos, sem receios dos pais. Sabiam que em sua companhia ela n&#227;o corria riscos.</p>
<p>A essa altura Carlinhos Lyra e Menescal reuniram suas economias e reabriram a Academia. Novo sucesso: 200 alunas! E quando o Menescal apresentou Carlos Lyra ao Ronaldo B&#244;scoli, a&#237; sim, a Bossa Nova come&#231;ou a ficar mais rica, em quantidade e qualidade de poetas, cantores e compositores. E come&#231;ou o sucesso: &quot;Se &#233; tarde me perdoa&quot;, &quot;Lobo Bobo&quot;. E a Academia prosperava, j&#225; com um terceiro professor: Normando Santos. E a turma da casa de Nara aumentou mais ainda, com a chegada dos irm&#227;os Castro Neves, M&#225;rio e Oscar, dois &quot;ases&quot; em m&#250;sica instrumental.</p>
<h3><font color="#ffffff">Nara Le&#227;o, seu talento,      <br />sua voz e seus lindos joelhos</font></h3>
<p><img height="290" alt="Nara Le&#227;o" src="http://www.emersontiago.com/blog/wp-content/uploads/2008/09/nara-leao.jpg" width="380" border="0" />     <br /><strong><font color="#ffffff">Nara Le&#227;o</font></strong></p>
<p>Dr. Jairo Le&#227;o e sua mulher, dona Tinoca, eram do Esp&#237;rito Santo, mas foi aqui no Rio que sua carreira de advogado teve &#234;xito.</p>
<p>Tinham duas filhas: Danuza, a mais velha, e Nara, que nasceu em 19 de janeiro de 1942 e veio para o Rio aos dois anos. Tinha apenas quatorze quando a Bossa Nova entrou na sua vida.&#160; Era 1956.</p>
<p>O &quot;Cursinho de Viol&#227;o&quot; recebeu uma nova aluna: Nara Lofego Le&#227;o.</p>
<p>Ao contr&#225;rio do pai de Menescal, o Dr. Jairo tinha uma outra opini&#227;o no que diz respeito ao famoso instrumento. Mesmo antes de existir a escola de viol&#227;o, Nara j&#225; possuia um viol&#227;o e um famoso professor: Patricio Teixeira, que dava aulas em sua casa. Levava n&#237;tida vantagem em rela&#231;&#227;o &#224;s colegas de classe, claro.</p>
<p>Foi Ronaldo B&#244;scoli quem descobriu a beleza dos seus joelhos.</p>
<p>Escreve ele:</p>
<p>&quot;<font color="#ffffff">Chegando l&#225;, toquei a campainha e quem me recebeu foi a pr&#243;pria Nara. Estava de shortinho curto, deixando inteiramente a descoberto seus joelhos redondinhos, que foram objeto de muitas poesias, cr&#244;nicas e suspiros gerais</font>.&quot;</p>
<p>Nos &#250;ltimos anos de 1950,&#160; trabalhava como rep&#243;rter,&#160; num jornal do Rio. Estreou profissionalmente em 1963, cantando no musical &quot;Pobre Menina Rica&quot;, de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra. Gravou duas faixas no disco de Carlos Lyra &quot;Depois do Carnaval&quot;: &quot;&#201; t&#227;o triste dizer adeus&quot; e &quot;Promessas de voc&#234;&quot;. No ano seguinte, em 1964, gravou seu primeiro LP: &quot;Nara&quot;. Um disco muito pol&#234;mico, porque misturou Bossa Nova com samba de morro que &quot;n&#227;o tinha nada a ver&quot;.</p>
<p>No fim daquele ano gravou o famoso &quot;Opini&#227;o&quot; e participou do show-protesto. Como Carlos Lyra, <font color="#ffffff">Nara era o que se chamava uma cantora &quot;politicamente engajada&quot;</font>. Em 1965 convidou uma nova cantora, Maria Beth&#226;nia, para substitu&#237;-la no show. Tornou-se,&#160; assim, descobridora da famosa cantora baiana.</p>
<p>1966 foi um ano de grandes sucessos: &quot;A Banda&quot;, de Chico Buarque e &quot;Disparada&quot; de Geraldo Vandr&#233;. &quot;A Banda&quot; dividiu com &quot;Disparada&quot; o primeiro lugar no II Festival de M&#250;sica Popular Brasileira da TV Record. Sucesso fulminante. O compacto vendeu 55 mil c&#243;pias em apenas quatro dias.</p>
<p>Um tumor, localizado em seu c&#233;rebro, causou sua morte em 7 de junho de 1989. Ela resistiu quase quatro anos.</p>
<h3><font color="#ffffff">Ant&#244;nio Carlos Jobim</font></h3>
<p>A Bossa Nova j&#225; nasceu aben&#231;oada por Deus. Teve a participa&#231;&#227;o brilhante do maestro <font color="#ffffff">Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim</font> &#8211; ou simplesmente Tom Jobim.</p>
<p><img height="385" alt="Tom Jobim" src="http://www.emersontiago.com/blog/wp-content/uploads/2008/09/tom-jobim.jpg" width="380" border="0" />     <br /><strong><font color="#ffffff">Tom Jobim em seu apartamento</font></strong></p>
<p>&#201; unanimidade nacional: <font color="#ffffff">Tom foi a figura mais importante da m&#250;sica brasileira, em toda a sua hist&#243;ria, s&#243; compar&#225;vel a Villa-Lobos, a quem admirava profundamente</font>. Conhecido e reconhecido em todo o mundo, Tom havia mudado de endere&#231;o, indo morar em Copacabana.</p>
<p>Em 1954, Tom retornou a Ipanema, para famoso endere&#231;o: <font color="#ffffff">Rua Nascimento Silva,107</font> apartamento 201. Foi nele que, em parceria com Vinicius de Moraes, comp&#244;s o cl&#225;ssico <font color="#ffffff">&quot;Se todos fossem iguais a voc&#234;&quot;</font>, em 1956. <font color="#ffffff">Em 1957, comp&#244;s outro cl&#225;ssico, &quot;Chega de saudade&quot; e reencontrou Jo&#227;o Gilberto. Alguns pesquisadores acham que daquele encontro resultou a Bossa Nova</font>. Vinicius de Moraes concorda, mas o tema &#233; muito controvertido. Em 62 Tom veio morar perto de mim, aqui na Rua Bar&#227;o da Torre, tamb&#233;m n&#250;mero 107 e aqui ficou at&#233; 1965. Naquele ano recebeu um bom dinheiro de direitos autorais e comprou uma casa na G&#225;vea, na Rua Codaj&#225;s, deixando (fisicamente) Ipanema para sempre. Mas Ipanema, e n&#227;o Copacabana, &#233; o ber&#231;o da Bossa Nova. Escreve Ruy Castro em &quot;Ela &#233; Carioca&quot;:</p>
<p>&quot;&#8230;embora a vitrine da Bossa Nova fosse Copacabana, o cora&#231;&#227;o musical do movimento estava em Ipanema. Foi aqui que ele comp&#244;s, com Newton Mendon&#231;a, &quot;Foi a Noite&quot;, &quot;Caminhos Cruzados&quot;, &quot;Discuss&#227;o&quot;, &quot;Domingo Azul do Mar&quot;, &quot;Medita&#231;&#227;o&quot;, &quot;Desafinado&quot; e &quot;Samba de uma nota s&#243;&quot;. Aqui ele comp&#244;s, com Dolores Duran &quot;Estrada do Sol&quot;, &quot;Se &#233; por falta de adeus&quot; e &quot;Por causa de voc&#234;&quot;.</p>
<p>Em Ipanema ele comp&#244;s &quot;Eu sei que vou te amar&quot;, &quot;A felicidade&quot;, &quot;Insensatez&quot;, &quot;Agua de Beber&quot;, &quot;O amor em Paz&quot;, &quot;Por toda a minha vida&quot;, &quot;O grande amor&quot;, &quot;O morro n&#227;o tem vez&quot;, &quot;Ela &#233; Carioca&quot;, &quot;Garota de Ipanema&quot;, &quot;Dindi&quot;, &quot;In&#250;til Paisagem&quot;, &quot;Samba do avi&#227;o&quot; e tantas obras primas.</p>
<h3>Vinicius de Moraes e o encontro dos g&#234;nius da Bossa Nova</h3>
<p>Aos quarenta e cinco anos, em janeiro de 1958, Vinicius &#8211; o poeta, encontra a semente da Bossa Nova em &quot;Chega de Saudade&quot; &#8211; uma das faixas do LP &quot;Can&#231;&#227;o do Amor Demais&quot;, gravado por Elizeth Cardoso. Seu parceiro &#8211; o maestro maior &#8211; foi Tom Jobim. A Bossa Nova nascia privilegiada. Tr&#234;s &quot;monstros sagrados&quot;. J&#225; podia-se ouvir a batida do viol&#227;o de Jo&#227;o Gilberto. <font color="#ffffff">De repente um diplomata foi promovido a guru de um movimento musical. E n&#227;o parou mais de escrever maravilhas</font>.</p>
<p>Entre 58 e 65 produziu, com Tom Jobim, cinq&#252;enta t&#237;tulos, quarenta com Baden Powel, trinta com Carlos Lyra e vinte com Edu Lobo.</p>
<p><font color="#ffffff">A rigor pode-se dizer, sem medo de errar, que a mudan&#231;a radical da poesia na MPB come&#231;ou com Vin&#237;cius de Moraes</font>. A mulher traidora, vulgar, vil&#227; e vagabunda cedeu o lugar &#224; garota bonita cheia de gra&#231;a, &#224; mulher amada e linda. A mulher rejuvenesceu, deixou de ser <em>vamp</em>. Passou a ser graciosa.</p>
<p>Foi a dupla Tom-Vinicius que universalizou a Bossa Nova.E, pasmem, foi muito criticada por alguns cr&#237;ticos &quot;de mal com a vida&quot;. <font color="#ffffff">A Bossa foi acusada de influ&#234;ncia americana, quando, ao contr&#225;rio, influenciou e contagiou a m&#250;sica de Tio Sam</font>.</p>
<p><img height="342" alt="Nara Le&#227;o e Vinic&#237;us de Moraes" src="http://www.emersontiago.com/blog/wp-content/uploads/2008/09/vinicius.jpg" width="380" border="0" />     <br /><font color="#ffffff"><strong>Nara Le&#227;o e Vinicius de Moraes</strong></font></p>
<h3><font color="#ffffff">Baden Powel, a Bossa Nova     <br /> enriquece e ganha o maior violonista do pa&#237;s</font></h3>
<p>Roberto Baden-Powell de Aquino, ou simplesmente &quot;Baden Powell&quot; nasceu numa cidadezinha do interior fluminense chamada &quot;Varre-e-sai&quot; em 6 de agosto de 1937. Veio para o Rio em 1955 indo morar em S&#227;o Cristov&#227;o.</p>
<p>Neto e filho de m&#250;sicos, o garoto herdou o talento e a genialidade que estarreceram o mundo anos mais tarde. Seu primeiro viol&#227;o foi &quot;roubado&quot; de uma tia e seu primeiro professor foi o Meira &#8211; violonista da orquestra de Pixinguinha.</p>
<p>Baden come&#231;ou a tocar profissionalmente no Cabar&#233; Brasil e, mais tarde, na <em>boite</em> do Hotel Plaza, onde se reuniam os primeiros &quot;bossanovistas&quot;. Seu primeiro sucesso foi &quot;Samba Triste&quot;, composto em 1959, em parceria com Billy Blanco.</p>
<p>Escreve Luiz Carlos Maciel: &quot;Para mim, Baden Powell &#233; o maior compositor da genu&#237;na m&#250;sica popular brasileira &#8211; ningu&#233;m faz uma seresta moderna melhor que ele. Toca tudo que &#233; poss&#237;vel e toca melhor do que todo mundo. Ningu&#233;m harmoniza melhor do que Baden. Ningu&#233;m. Eu o conheci atrav&#233;s de Dolores Duran, no Beco das Garrafas, no <em>Little Club</em>&#8230; tenho quase certeza de que fui eu quem o aproximei de Vinicius de Moraes.&quot;</p>
<p><img height="383" alt="badenpowell1" src="http://www.emersontiago.com/blog/wp-content/uploads/2008/09/badenpowell1.jpg" width="380" border="0" />     <br /><font color="#ffffff"><strong>Baden Powel</strong></font></p>
<p>Parecia que &quot;uma qu&#237;mica especial&quot; existia entre os dois. Ficavam dias inteiros tentando encontrar o fim de uma can&#231;&#227;o! A primeira parceria foi &quot;Samba em Prel&#250;dio&quot;. E se seguiram mais de 50 cl&#225;ssicos. Baden teve muitos parceiros po&#233;ticos, inclusive Paulo Cesar Pinheiro. Desse ultimo, eu gosto muito de &quot;Viol&#227;o Vadio&quot; que Eliseth interpreta magistralmente. O longo per&#237;odo em que viveu na Europa fez com que seja muito mais conhecido naquele continente, principalmente na Fran&#231;a e na Alemanha.</p>
<p><font color="#ffffff">&#201;, sem d&#250;vida, o maior violonista do Brasil em todos os tempos, n&#227;o s&#243; pela t&#233;cnica, mas pela capacidade de criar. Ningu&#233;m criava acordes mais lindos.&#160; Baden suplantava a todos</font>.</p>
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