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| Tom Jobim, o Mito
por emersontiago | 08:33am
  Novembro

Olá pessoal, dando sequência aos textos em homenagem ao cinquentenário da Bossa Nova, um texto sobre a vida e obra de Tom Jobim, o mito.

 Tom Jobim

O início

Vinte e cinco de janeiro de 1927: Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim veio ao mundo com quase 60cm de comprimento e pesando quatro quilos. Ainda criança mudou com a família para Ipanema e depois para Copacabana. Aos 14 anos, deparou-se com um piano na garagem de casa. Era o piano que mudaria sua vida. Por achar que piano era “coisa de mocinha”, Tom aproximou-se do teclado com uma certa cautela, combinando notas de brincadeira. Quando se deu conta, já estava fisgado. Às vezes tinha aulas durante dez horas seguidas. Além de piano, aprendeu flauta, harmônica de boca e violão, chegando a formar um conjunto de gaitistas do qual também fazia parte Newton Mendonça, que seria o primeiro grande parceiro de Tom.

Louco para se casar com Thereza Otero Hermanny, Tom partiu em busca de uma profissão mais segura. Bom de desenho, fez vestibular para arquitetura, só que não conseguiu ir além do primeiro ano do curso. Sem dinheiro, resolveu ganhar algum com aquilo que sabia fazer de melhor. Por intermédio do amigo da família Alceu Bocchino, maestro diretor da Rádio Clube do Brasil, arrumou emprego como pianista daquela emissora, que logo acumulou com outro no Bar Michel.

Tom Jobim passou pelas principais casas noturnas do Rio com um repertório bem eclético: sambas, boleros, foxes, rumbas, canções francesas, tangos. Mas sabia que aquilo não o levaria para lugar algum, então resolveu aperfeiçoar seus estudos lendo os “Princípios de Orquestração”, do compositor russo Rimsky-Korsakov, e decorando os arranjos de Glenn Miller nos 78 rotações de sua coleção. Mais tarde, tomaria aulas de orquestração com Leo Peracchi e Tomás de Terán.

Tom Jobim

Por intermédio do músico Alcides Fernandes, marido da faxineira dos Jobim, Tom foi trabalhar na Editora Euterpe, escrevendo arranjos para pequenos conjuntos. Logo estava na gravadora Continental, onde se ocuparia de colocar em pentagramas as músicas de autores que compunham apenas de ouvido e fazer arranjos e orquestrações para Dalva de Oliveira, Orlando Silva, Elizeth Cardoso e Dick Farney. O arranjador oficial da gravadora era Radamés Gnatalli, grande pianista, regente e compositor, que adotou Tom como seu mais ilustre afilhado musical. Àquela altura, o Tom já tinha um filho, Paulo, nascido em 4 de agosto de 1950.
Em abril de 1953, Tom estreou em disco como compositor, com o samba-canção “Incerteza”, parceria com Newton Mendonça, gravado por Mauricy Moura, discípulo de Silvio Caldas. Mas foi no ano seguinte que saboreou seu primeiro sucesso: “Tereza da Praia”, samba-canção composto de parceria com Billy Blanco, gravada por Lúcio Alves e Dick Farney.

Em 54, a Continental passou a produzir LPs de dez polegadas, tornando possível registrar em disco os onze movimentos de uma sinfonia, burilada a quatro mãos com Billy Blanco. Era uma exaltação ao Rio, falando do mar, das montanhas, do sol e do cotidiano da cidade, com arranjos de Gnatalli e canções interpretadas por artistas consagrados como Farney, Lúcio, Elizeth Cardoso, Dóris Monteiro, Os Cariocas, Jorge Goulart, Nora Ney e Emilinha Borba. “Sinfonia do Rio de Janeiro” não entrou nas paradas de sucesso mas consolidou a reputação de Tom como o mais promissor talento de sua geração.

Tom e Vinicius

O encontro definitivo entre Tom e Vinícius de Moraes foi no bar Villariño, no centro do Rio, em 1956, graças a Lúcio Rangel, velho amigo do poeta. Vinícius procurava alguém para compor a música de uma ópera negra carioca, intitulada “Orfeu da Conceição”, transposição do mito de Orfeu para uma favela, e foi pedir sugestões a Rangel, que indicou Tom. Foi assim que nasceu uma das amizades mais instantâneas, fraternais, prolíficas e duradouras da história da música popular brasileira. Logo a parceria Tom e Vinícius produzia a obra-prima “Se Todos Fossem Iguais a Você”.

“Orfeu da Conceição” estrearia no Theatro Municipal do Rio de Janeiro no dia 25 de setembro de 1956, com lotação esgotada. A imprensa reagiu com entusiasmo e, em seguida, a trilha sonora do espetáculo foi lançada pela Odeon.

Depois, Tom estreou na televisão, no programa “Noite de Gala”, da TV Rio, com o maestro Osvaldo Borba; ganhou o prêmio de melhor compositor da Prefeitura do então Distrito Federal; e viu nascer sua filha Elizabeth, no dia 26 de agosto. Corria o ano de 1957 quando reencontrou João Gilberto, que chegou mostrando duas composições inéditas: “Bim-Bom” e “Oba-lá-lá”. Impressionado com a batida diferente do violão do João, Tom nem prestou atenção nas letras. Era por aquela batida que a Bossa Nova estava esperando para poder nascer.

 

A Bossa Nova

Em 1958, Elizeth Cardoso aceita gravar um LP só com temas de Tom & Vinícius e o maestro inclui João Gilberto e sua batida nas faixas “Chega de Saudade” e “Outra Vez”. Gravado no estúdio da Columbia, “Canção do Amor Demais”, o LP marcou o lançamento oficial da Bossa Nova, até porque dele fazia parte o samba-manifesto “Desafinado”.

Ao longo de 1959, Tom começa a pensar numa nova sinfonia, encomendada pelo presidente Juscelino Kubitschek em homenagem a Brasília, a nova capital do país, que seria inaugurada em 1961. Nesse meio tempo, João Gilberto lançou seu segundo LP, “O Amor, o Sorriso e a Flor”, com seis composições de Tom, três das quais em parceria com Newton Mendonça: “Meditação”, “Discussão” e o paradigmático “Samba de uma Nota Só”, que se transformaria numa espécie de hino da Bossa Nova.

Ao palco Tom só retornaria em meados de 1962, no memorável show “Encontro”, ao lado de Vinícius, João Gilberto e o conjunto Os Cariocas, na boate Au Bon Gourmet. Lá foram lançados cinco dos maiores clássicos da Bossa Nova: “Só Danço Samba”, de Tom e Vinícius; “Samba do Avião”, de Tom; “Samba da Bênção” e “O Astronauta”, de Baden e Vinícius; e, por fim, o maior sucesso da dupla Tom-Vinícius, “Garota de Ipanema”, que só sairia em disco no ano seguinte.

 

A carreira internacional

Gravado por artistas norte-americanos como o saxofonista Stan Getz, o guitarrista Charlie Byrd, o polivalente Quincy Jones e o trompetista Dizzy Gillespie, não dava mais para evitar o inevitável: a Bossa Nova fez dos Estados Unidos a sua segunda pátria. A apresentação oficial da Bossa Nova aos americanos foi no dia 21 de novembro de 1962, no Carnegie Hall de Nova York. Doze dias após o show, Tom apresentou-se no templo jazzístico nova-iorquino The Village Gate e, logo depois, no Listener’s Auditorium, em Washington, diante de duas mil pessoas, entre as quais o crítico de música do jornal “Washington Post”, que o cobriu de elogios.

Para a Verve gravou seu primeiro disco americano, o instrumental “Antonio Carlos Jobim—The Composer of Desafinado Plays”, acompanhado de grande orquestra, e solou ao piano nos LPs “Jazz Samba Encore!” – com Stan Getz, Luiz Bonfá e Maria Helena Toledo – e “Getz/Gilberto” – com Getz, Joâo Gilberto e Astrud Gilberto.

Depois de participar do LP “Bossa Nova York”, com Sérgio Mendes, Art Farmer, Phil Woods e Hubert Laws, aceitou um encontro com Dorival Caymmi e os filhos do compositor baiano: Danilo, Nana e Dori. “Caymmi Visita Tom” marcaria a estréia de Tom como cantor, em disco. Quando 1964 chegou ao fim, Tom recebeu três prêmios Grammy: pela autoria de “Desafinado” e “Garota de Ipanema” e pelos arranjos de “Brazil’s Brilliant João Gilberto”.

Tom e Frank Sinatra

De volta aos Estados Unidos, Tom aproveitou a temporada para realizar um sonho de todo músico de sua geração: gravar um disco com Nelson Riddle, o arranjador favorito de Frank Sinatra. Meses depois, Tom recebeu o mais surpreendente telefonema de sua vida. Do outro lado da linha, ninguém menos que Frank Sinatra. “The Voice” queria gravar um disco só com músicas de Tom, que topou na hora. Foi uma conversa curta.

No início de 1967, começaram as gravações de “Albert Francis Sinatra & Antonio Carlos Jobim”, que seria eleito pela crítica americana “o álbum do ano”. Um segundo disco com os dois seria gravado dois anos depois, com o título de “Sinatra & Company”.

Em seguida, Sinatra convidou Tom para participar de um especial sobre ele, “A Man and His Music”, para a rede de televisão NBC. Sinatra, aliás, abriu o programa cantando “Corcovado”. Quando o especial com Sinatra foi ao ar, em novembro de 67, Tom já havia computado outro feito histórico: sua primeira parceria com Chico Buarque, “Retrato em Branco e Preto”, que lá fora, em versão instrumental, já era conhecida com o título de “Zingaro”. Por uns tempos, Chico Buarque seria o novo Vinícius de Tom. Inclusive, a música “Sabiá”, parceria deles, venceu o III Festival Internacional da Canção.

 

Ditadura e ecologia

No festival seguinte, vários artistas decidiram boicotar o evento. Tom adere ao boicote, entra para a lista negra da ditadura militar e é preso “para prestar depoimentos”. A situação política do país se agravava e Tom encontrou sua válvula de escape na tela, compondo trilhas musicais para filmes brasileiros (“A Casa Assassinada”, pela qual seria premiado no Festival de Cinema Brasileiro de Brasília em 1971) e estrangeiros (“Os Aventureiros”, cujos temas escreveu numa luxuosa casa de três andares em Londres, alugada pela Paramount).

Tom e Elis

Em seguida, veio a fase ecológica, em que lançou “Águas de Março” e dois LPs com nomes de pássaros, “Matita Perê” e “Urubu”, recheados de canções inspiradas ou voltadas para a natureza, como “Sabiá”, “Tempo do Mar”, “Rancho nas Nuvens”, “Nuvens Douradas”, “Boto” e “Correnteza”. “Águas de Março”, lançada em 72, se transformaria num dos mais instantâneos e retumbantes sucessos do compositor. Só naquele ano, a nova obra-prima de Tom ganharia quase dez intérpretes, no Brasil e na América, nenhuma tão elogiada quanto a de Elis Regina em dueto com o autor, no LP “Elis & Tom”.

No mesmo ano em que gravou o fundamental “Urubu”, Tom conheceu Ana Beatriz Lontra, fotógrafa de 19 anos. Empolgou-se como um adolescente, cobriu-a de versos galantes, mas só começaram a namorar depois que Tom afinal separou-se de Thereza, em 1977. Em pouco tempo, Ana se ligaria ao namorado também profissionalmente, integrando um coral familiar por ele montado para um show no Canecão, com mais três estrelas: Vinícius de Moraes, Toquinho e Miúcha. Ao lado de Ana, a filha de Tom, Beth, e três irmãs de Chico, Pii, Cristina e Bahia. O espetáculo ficou oito meses em cartaz no Canecão, rumando para São Paulo, Uruguai, França (fez dez apresentações no Olympia de Paris), Itália e Suíça.

Nos quatro anos seguintes, Tom lançou o álbum duplo “Terra Brasilis”; reatou sua parceria com Chico Buarque; teve seu primeiro filho com Ana, João Francisco; dividiu um disco com Edu Lobo (“Tom & Edu, Edu & Tom”); e ganhou o prêmio Shell de melhor compositor de 1982.

 

Homenagens, TV e Cinema

No começo da década de 80, Tom foi homenageado num especial em quatro programas na TV Manchete. Em 1984, foi nomeado conselheiro cultural do Estado do Rio de Janeiro pelo vice-governador Darcy Ribeiro; A valsa “Luíza” foi tema da telenovela “Brilhante” e “Passarim”, uma das músicas que compôs para a minissérie “O Tempo e o Vento”. Para o filme de Arnaldo Jabor, “Eu Te Amo”, Tom fez uma valsa homônima, de parceria com Chico Buarque. Mas em “Gabriela” (1982), “Para Viver um Grande Amor” (1983) e “Fonte da Saudade” (1985) sua participação foi muito além do tema principal.

Outras trilhas sonoras para o cinema, contudo, tiveram de ser recusadas ou adiadas para que o maestro pudesse atender a um convite irrecusável: tocar acompanhado da ORF Sinfonietta de Viena, na Wienner Konzerthausgeselschaft. Receoso de um descompasso, pediu para levar o cantor e flautista Danilo Caymmi, o filho Paulo Jobim, o baixista Tião Neto e o baterista Paulo Braga.

Dispensou os metais, substituindo-os por vozes femininas, as de Ana e Beth Jobim e Simone, mulher de Danilo. Estava formada a Banda Nova, que, logo acrescida do violoncelista Jaques Morelenbaum, sua mulher, Paula, e Maúcha Adnet, faria sucesso durante dez anos, inclusive fora do Brasil, sempre acompanhando o seu criador.

Em 1985, Tom voltou ao Carnegie Hall, abrindo uma longa temporada de shows, alguns no Brasil, outros na Europa, Canadá, Japão e de novo Estados Unidos. Entre uma viagem e outra, ainda encontrou tempo para receber a comenda de Grand Commandeur des Arts et des Lettres do governo francês, entregue, pessoalmente, em Brasília, pelo ministro da Cultura da França, Jack Lang; para terminar a música da minissérie da TV Globo, "Anos Dourados"; e iniciar as gravações do LP "Passarim", pelo qual ganharia o seu primeiro disco de ouro.

Em 1987, Tom, já sexagenário, foi pai mais uma vez com Maria Luíza, sua filha com Ana Jobim, e ganhou homenagem aos seus 60 anos da TV Globo, que lhe dedicou um especial, "Antônio, o Brasileiro", gravado no Brasil e nos Estados Unidos. Em 1988, chegou às livrarias uma coletânea de textos e poemas de Tom, editada pela Expressão e Cultura, "Jardim Botânico do Rio de Janeiro”.

Tom Jobim

Para celebrar o jubileu de prata da gravação de Astrud de “Garota de Ipanema”, montou-se no Carnegie Hall uma grande festa na noite de 15 de março de 1989. Em 25 anos, “Garota de Ipanema” ultrapassara as três milhões de execuções em emissoras de rádio e televisão, fazendo de Tom o segundo autor estrangeiro mais executado nos Estados Unidos. Apesar de três grandes perdas afetivas naquele período (Vinicius, em julho de 1980, a mãe em novembro de 1989 e o tio Marcelo algumas semanas depois), a década de 80 fechou de forma auspiciosa para Tom Jobim. A de 90 seria dedicada, em grande parte, a apresentações em público no Brasil e turnês pelo mundo.

Janeiro de 1990 começou, para ele, com um show em homenagem a Vinicius, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, seguido de outro, com Milton Nascimento e Chico Buarque, marcando a inauguração da Universidade Livre da Música, em São Paulo, para a qual Tom foi nomeado reitor e depois, presidente de seu Conselho Diretor.

Quando, nos primeiros dias de fevereiro, lançaram no Brasil o disco “Família Jobim”, ele já estava de volta a Nova York, onde ficaria quatro meses, só retornando para participar do Festival de Inverno de Campos de Jordão, no interior de São Paulo, e num espetáculo montado por Roberto de Oliveira, no Memorial da América Latina, na capital paulista.

Em novembro, dividiu com Caetano Veloso o palco, os aplausos e o prêmio Tenco do Festival de San Remo, na Itália. Convidado pelo compositor Sammy Cahn, ingressou no fechadíssimo Hall of Fame da música popular americana. De volta ao Rio, em dezembro, apresentou-se no Scala, do Rio, onde oficialmente foram lançados os três volumes do Songbook editado pela Lumiar, de Almir Chediak.

 

Tom cai no samba

Em 1991, Tom participou de um show no ginásio Ibirapuera no dia de aniversário da cidade de São Paulo. Para que os cariocas não ficassem com ciúmes, acertou com a prefeitura do Rio um espetáculo pelos 426 anos da cidade, em 1º de março, na ponta do Arpoador, praia de sua infância.

Algumas semanas mais tarde, subiria outra vez ao palco do Carnegie Hall para participar de um encontro musical em prol da Fundação Mata Virgem, organização não-governamental criada por Sting. No segundo semestre, compôs “Querida” para a novela “O Dono do Mundo” e se apresentou no Canecão, Rio de Janeiro, no Teatro Guararapes, de Recife, no Riocentro (com a família Caymmi) e na quadra da Mangueira, para arrecadar fundos para o próximo desfile carnavalesco da escola.

Tom tinha um interesse especial no próximo desfile da Mangueira, afinal de contas, ele era o tema de seu samba-enredo, “Se Todos Fossem Iguais a Você”. Entusiasmado com a homenagem, retribuiu com um samba, “Piano na Mangueira”, composto de parceria com Chico Buarque. Novas emoções em público o esperavam nos meses que se seguiram ao desfile no Sambódromo: shows na Espanha e em Portugal; o grand finale da Rio Eco-92, no Estádio de Remo da Lagoa Rodrigo de Freitas; e um espetáculo em torno do músico belga Toots Thielemans em Los Angeles.

Culminando, em dezembro, com um reencontro de Tom e João Gilberto, no palco do Teatro Municipal do Rio e do Palace, em São Paulo, para comemorar os 30 anos do primeiro concerto de bossa nova no Carnegie Hall, que se transformou no especial de fim de ano da TV Globo.

 

A despedida

Com um tributo à sua obra, no Free Jazz Festival, de que participaram Herbie Hancock, Shirley Horn, Ron Carter, Joe Henderson, Gonzalo Rubalcaba, Jon Hendricks, Gal Costa e Oscar Castro Neves, e um novo disco, Tom encerrou a temporada de 1993. O novo disco, “Antonio Brasileiro”, com participações especiais de Dorival Caymmi e Sting, também seria o último de sua carreira. Parecia mesmo uma despedida, com a presença recorde de familiares: além dos habituais (Ana, Paulo e Beth), o neto Daniel e a filha Maria Luíza, de sete anos, cantando com o pai “Samba Para Maria Luiza”. O disco só seria lançado em novembro de 1994.

Tom Jobim

Em duas noites seguidas de abril, Tom reapareceu no Carnegie Hall: na primeira, para comemorar os 50 anos da Verve, na companhia de Pat Metheny, Joe Henderson, Charles Haden e Al Foster; na segunda, para promover a Rainforest Foundation, ao lado de Sting, Elton John e Luciano Pavarotti. Em maio, daria, em Jerusalém, seu último espetáculo, passando os quatro meses seguintes no Rio, onde preferiu gravar a faixa (“Fly Me To the Moon”) que lhe coube no segundo disco de duetos de Frank Sinatra, “Duets II”. Em 15 de setembro, três dias após gravar sua parte no dueto com Sinatra, viajou até Nova York para submeter-se a uma angioplastia e avaliar o grau de comprometimento de seu sistema circulatório. Num dos vários exames a que Tom se submeteu, detectaram um tumor maligno em sua bexiga—e uma cirurgia foi marcada para o dia 6 de dezembro, no Mount Sinai Medical Center.

No dia 8, enquanto convalescia da cirurgia, teve uma parada cardíaca, às 8h. A segunda, duas horas depois, provocada por uma embolia pulmonar, lhe seria fatal.

O corpo de Tom Jobim desembarcou no Rio no dia 9 e foi velado no Jardim Botânico, dali seguindo para o cemitério de São João Batista, após desfilar em cortejo pela cidade que ele tanto amou e cantou em suas canções.

texto de Carla Paes Leme

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