Olá pessoal, em homenagem ao cinquentenário da Bossa Nova um texto super interessante sobre a obra e vida de Vinícius.
Poeta, compositor, cantor, cineasta, diplomata, alguém que sabia curtir a vida e ser feliz a cada momento. Esse era o poetinha Vinicius de Moraes, chamado assim não por ser um poeta menor, mas porque chamava todos, carinhosamente, pelos diminutivos.
Nascido na madrugada do dia 19 de outubro de 1913, Vinícius começa a compor aos 13 anos, quando forma um pequeno conjunto musical que atua em festinhas nas casas de amigos e conhecidos. Nessa época, Vinícius já é o terror das meninas e namora, invariavelmente, todas as amigas de sua irmã Laetitia.
Aos 17 anos, Vinícius entra para a faculdade de Direito da rua do Catete e um ano depois, para o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva. Em 1933, forma-se advogado, termina o curso do CPOR e publica seu primeiro livro, “O caminho para a distância”.
Em 1935, Vinicius de Moraes publica “Forma e exegese”, com o qual ganha o prêmio Felipe d’Oliveira. No ano seguinte, substitui Prudente de Morais Neto como representante do Ministério da Educação junto à Censura Cinematográfica, e conhece Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, dos quais se torna amigo. Em 1938, publica novos poemas e é agraciado com a primeira bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford.
Em 1939, o poeta casa-se com Beatriz Azevedo de Mello e volta da Inglaterra por causa da Segunda Grande Guerra Mundial. Dois anos mais tarde, começa a escrever críticas cinematográficas para o jornal A Manhã e a colaborar no Suplemento Literário. Em 1942, faz uma extensa viagem ao Nordeste do Brasil acompanhando o escritor americano Waldo Frank. A viagem muda radicalmente a visão política de Vinícius, tornando-o um antifacista convicto. Na estada em Recife, conhece o poeta João Cabral de Melo Neto, de quem se tornaria, depois, grande amigo.
Em 1943, Vinicius de Moares publica “Cinco elegias”, em edição mandada fazer por Manuel Bandeira, Aníbal Machado e Otávio de Faria, e ingressa, por concurso, na carreira diplomática. No ano seguinte, dirige o Suplemento Literário de O Jornal, onde lança, entre outros, Oscar Niemeyer e Pedro Nava em colunas assinadas, e publica desenhos de artistas plásticos até então pouco conhecidos, como Carlos Scliar.
Em 1946, Vinicius parte para Los Angeles, como vice-cônsul, em seu primeiro posto diplomático e publica “Poemas, sonetos e baladas". Em 1950, vai ao México visitar o amigo Pablo Neruda, poeta chileno gravemente enfermo. Um ano mais tarde, casa-se com Lila Maria Esquerdo e Bôscoli e começa a colaborar no jornal Última Hora como cronista diário e crítico de cinema. Em 53, Vinícius compõe seu primeiro samba, música e letra, "Quando tu passas por mim", e parte para Paris como segundo secretário da Embaixada Brasileira.
No ano seguinte, sai a primeira edição de sua Antologia Poética e a revista Anhembi publica sua peça “Orfeu da Conceição”, premiada no concurso de teatro do IV Centenário do Estado de São Paulo. Um ano depois, passa a trabalhar no roteiro do filme “Orfeu Negro”. Paralelamente aos trabalhos da produção do filme, resolve encenar sua peça "Orfeu da Conceição", no Teatro Municipal, que aparece também em edição comemorativa de luxo, ilustrada por Carlos Scliar. Convida, então, Antônio Carlos Jobim para fazer a música do espetáculo, iniciando com ele a parceria que, logo depois, com a inclusão do cantor e violonista João Gilberto, daria início à bossa nova.
Em 1957, Vinicius é transferido da Embaixada em Paris para a Delegação do Brasil junto à UNESCO. No fim do ano, é removido para Montevidéu, regressando, em trânsito, ao Brasil. Publica a primeira edição de seu Livro de Sonetos, em edição de Livros de Portugal. No ano seguinte, depois de um grave acidente de automóvel, ele se casa com Maria Lúcia Proença. Nessa época, sai o LP “Canção do Amor Demais”, de músicas suas com Antônio Carlos Jobim, cantadas por Elizete Cardoso. No disco ouve-se, pela primeira vez, a batida da bossa nova no violão de João Gilberto, que acompanha a cantora em algumas faixas, entre as quais o samba "Chega de Saudade", considerado o marco inicial do movimento.
Vinicius é sucesso também no cinema em 59, quando o filme “Orfeu negro” ganha a Palma de Ouro no Festival de Cannes, o Globo de Ouro e o Oscar como melhor filme estrangeiro. Dois anos mais tarde, Vinicius começa a compor com Carlos Lira e Pixinguinha, e um ano depois com Baden Powell, dando inicio à série de afro-sambas, entre os quais, "Berimbau" e "Canto de Ossanha". Ainda em 62, o poeta se une a Carlos Lyra para compor as canções de sua comédia-musicada “Pobre menina rica”. No mesmo ano, Vinícius grava, como cantor, seu disco com a atriz e cantora Odete Lara e faz seu primeiro show com Antônio Carlos Jobim e João Gilberto, na boate Au Bon Gourmet, que daria início aos chamados pocket-shows, e onde foram lançados grandes sucessos internacionais como "Garota de Ipanema" e o "Samba da bênção".
Em 1963, mais um casamento, desta vez com Nelita Abreu Rocha. Em seguida, Vinicius parte na delegação do Brasil junto à UNESCO para Paris, de onde volta um ano depois. Em 66, são feitos documentários sobre o poeta pelas televisões americana, alemã, italiana e francesa. Seu "Samba da bênção", de parceria com Baden Powell, é incluído, em versão do compositor e ator Pierre Barouh, no filme “Um homem, uma mulher”, que acaba vencendo o Festival de Cannes.
A carreira diplomática de Vinicius de Moraes encerra-se em 1969, quando é exonerado do Itamaraty. Em seguida, casa-se novamente. A nova esposa é Cristina Gurjão, logo substituída pela atriz baiana Gesse Gessy em 1970, quando o poetinha inicia a parceria com Toquinho. Em 71, muda-se para Bahia e viaja pra Itália com Toquinho, onde gravam o LP “Per vivere un grande amore”. Na Itália, a dupla grava ainda mais dois discos. Em 76, o sétimo casamento. A escolhida é Marta Rodrigues Santamaria. Em 77, um show histórico no Canecão com Toquinho, Tom Jobim e Miúcha. No mesmo ano, grava um LP em Paris, com Toquinho, com quem excursiona pela Europa. Em Paris, conhece Gilda de Queirós Mattoso, com quem se casa pela oitava vez.
Em 1979, Vinicius lê poemas no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, a convite do líder sindical Luís Inácio da Silva. Voltando de viagem à Europa, sofre um derrame cerebral no avião e acaba perdendo os originais de Roteiro lírico e sentimental da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. No dia 17 de abril de 1980 é operado para a instalação de um dreno cerebral, e na manhã de 9 de julho, já em casa, na Gávea, morre de edema pulmonar em companhia de Toquinho e de Gilda Mattoso.
Discografia
"Vinícius e Odete Lara" (1963) Elenco LP
"Vinícius e Caymmi no Zum Zum" (1964) Elenco LP
"Vinícius: Poesia e canção" (1966) Forma LP
"Os afro sambas de Baden e Vinícius" (1966) Forma LP
"Vinícius em Portugal" (1969) Festa LP
"Vinícius de Moraes en "La Fusa" com Maria Creuza e Toquinho" (1970) Diorama LP
"Como dizia o poeta. Vinícius, Toquinho e Marília Medalha" (1971) RGE LP
"Maria Bethânia, Vinícius de Moraes e Toquinho" (1971) EMI LP
"Toquinho e Vinícius" (1971) RGE LP
"São demais os perigos dessa vida" (1972) RGE LP
"Vinícius canta Nossa filha Gabriela" (1972) Polydor LP
"Vinícius e Toquinho" (1974) Philips LP
"Toquinho/Vinícius e amigos" (1974) RGE LP
"Toquinho e Vinícius. O poeta e o violão" (1975) RGE LP
"Vinícius e Toquinho" (1975) Philips LP
"Ornella Vanoni, Vinícius de Moraes e Toquinho. La voglia la Pazzia, L’incoscienza e L’allegria" (1976) RCA Victor LP
"Vinícius: Antologia poética" (1977) Philips LP
"Tom/Vinícius/Toquinho/Miúcha. Ao vivo no Canecão" (1977) Som Livre LP
"Amália/Vinicius" (1978) Decca LP
"O grande encontro de Maria Creuza, Vinícius de Moraes e Marília Medalha. Gala 79" (1979) Som Livre LP
"Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes" (1980) Som Livre LP
"Toquinho e Vinícius. Um pouco de ilusão" (1980) Ariola LP
"Testamento" (1980) REE LP
"Saravah" (1980) Barclay LP
"A Arca de Noé" (1980) Ariola LP
"Arca de Noé 2" (1981) Ariola LP
"A história dos shows inesquecíveis. Poeta, moça e violão" (1991) Collector’s Editora CD triplo
O boa praça Vinicius de Moraes
O gênio Vinicius de Moraes
Vinicius de Moraes o poeta
Vinicius de Moraes o conquistador
Vinicius e o parceiro Tom Jobim
Vinicius e Toquinho
texto de Carla Paes Leme
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Adicionado em: Música




1. Carla Paes Leme | 4/11/2008 às 22:18
Opa! Fui eu que escrevi esse texto… rs… pelo menos vc deu crédito… muito bem!
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