A palavra ‘bossa‘ era um termo da gíria carioca que, no fim dos anos cinqüenta , significava ‘jeito’, ‘maneira’, ‘modo’. Quando alguém fazia algo de modo diferente, original, de maneira fácil e simples, dizia-se que esse alguém tinha ‘bossa’. Se o Emerson desenhava bem, dizia-se que tinha ‘bossa de arquiteto’. Se o Paulo escrevia, redigia bem, tinha ‘bossa de jornalista’. E a expressão ‘Bossa Nova’ surgiu em oposição a tudo o que um grupo de jovens achava superado, velho, arcaico, antigo. Sim, mas o quê era julgado superado e velho, na música popular brasileira? ‘Tudo’, dizia a mocidade bronzeada de Copacabana.
A tristeza e melancolia das letras, a repetição dos ritmos ‘abolerados’ e dos ’sambas-canção’; era tudo a mesma coisa, não obstante os grandes cantores da época: Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Carlos Galhardo. Lindas valsas e serestas? Sim, e daí? Daí é que algo tinha de ser feito.
Diferentes harmonias, poesias mais simples, novos ritmos. – Ritmo é batida, como do relógio, do pulso, do coração- E Bossa Nova é batida diferente do violão, poesia diferente das letras, cantores diferentes dos mestres. A Bossa Nova não seria melhor nem pior. Seria completamente diferente de tudo, mais intimista, mais refinada, mais alegre, otimista. Diferente. Não começou especificamente num lugar, numa rua, num evento, num Festival. A rigor, ela não é nem um gênero musical. É o tratamento que se dá a uma música, em termos de ‘batida’ e de ritmo.
O primeiro grande marco inicial da Bossa Nova aconteceu em primeiro de março de 1958,quando João Gilberto cantou, com a batida de violão diferente, ‘Chega de Saudade’, posteriormente gravada por Eliseth Cardoso, no disco ‘Canção do amor demais’. Em 1956, ninguém falava em Bossa Nova, mas o apartamento onde morava Nara Leão, no Edifício Palácio Champs Elysée, em frente ao Posto 4, já era ponto de reunião dos rapazes bronzeados de Copacabana: Carlos Lyra, Roberto Menescal, Ronaldo Boscoli e outros. Não se compunham músicas ali. Ouviam-se. E trocavam idéias.
Só no ano seguinte, em 1957, João Gilberto chegou ao Rio e, certa noite, foi à casa de Roberto Menescal, na Galeria do mesmo nome, em Copacabana. E aconteceu o grande encontro: O ritmo encontrou a música e a poesia.
O Grande Encontro: João Gilberto e Roberto Menescal
- Tem um violão aí? Eu sou o João Gilberto. Podíamos tocar alguma coisa.
Menescal, surpreso com "aquela figura esquisita", mandou-o entrar.
Já ouvira falar num "baiano meio louco, genial, afinadíssimo," que às vezes aparecia no Plaza, na Rua Princesa Isabel, por volta de 1957.
Carlos Lyra já conhecia "aquela figura".
Casa cheia. Menescal levou o baiano para o quarto dos fundos. Curioso. Violão examinado e devidamente afinado, João começou a cantar "Hô–ba-la-la", de sua autoria. Uma espécie de beguine – musica caribenha já esquecida. Menescal não entendeu nada da letra. Mas quem se importava com letra? A voz do "cara" era um instrumento! Um trombone da melhor qualidade. E João Gilberto não parecia cantar. Dizia as letras, num sussurro, mal abrindo os lábios. E repetiu o estranhíssimo "Ho-ba-la-la" cinco ou seis vezes, cada uma de maneira diferente, mas com a mesma batida.
João Gilberto
A mesma bossa. Quase ninguém conhecia João Gilberto, no Rio, em 1957, principalmente os mais jovens. Quem ele era, o que fazia, como aprendera violão, como cantar daquele jeito diferente. Sabia-se, vagamente, que viera da Bahia pra cantar num conjunto, mas não se adaptara. E cantava esporadicamente, na noite do Rio. Fascinado, Menescal resolveu "mostrar sua descoberta" aos amigos.
E saiu com o baiano a tiracolo.
Com violão e tudo.
Começou pelo apartamento de Ronaldo Bôscoli, na rua Otaviano Hudson, onde João Gilberto cantou "Ho-ba-la-la" muitas vezes.
E cantou outra canção muito estranha, chamada "Bim-Bom".
A "pré-Bossa Nova" de Dick Farney
O mestre João Gilberto abriu os ouvidos de Menescal e Bôscoli para uma música que até então desconheciam. O dia amanhecia quando chegaram os três ao apartamento da Nara Leão, onde "o show" foi repetido mais uma vez.
E o grupo partiu para a Urca, onde morava Ana Lu. Fascinado, Roberto Menescal queria aprender aquela "batida" diferente e não tirava os olhos das mãos de João Gilberto. E era professor de violão, como o Carlos Lyra. E a voz? O baiano explicou como conseguia soltar "um monte" de frases num único fôlego. "Reza a lenda" que João Gilberto admirava muito a respiração de Dick Farney, que já cantava uma espécie de "pré-bossa nova". E, mesmo fumando dois maços de cigarros por dia, tinha uma técnica muito especial, em termos de respiração. Sinatra, claro, era o guru maior. Ensinou ao mestre que ensinou ao professor. Talvez João Gilberto nem soubesse que Sinatra era mestre em respiração. Seus mestres eram mesmo os yogues indianos. O baiano era muito estranho!
Com o nome de Farnésio Dutra cantor algum conseguiria ser conhecido, mesmo com o enorme charme que encantava as meninas, à época da Segunda Guerra Mundial.
Assim, um rapaz de 24 anos tornou-se Dick Farney – charme, voz, elegância, bom gosto "pra dar vender", como se dizia. Esbanjava talento no Cassino da Urca, no tempo em que o jogo era permitido. Ele tinha gravado "Copacabana", pela Continental, em 1942, de João de Barro, o nosso querido "Braguinha". Sucesso absoluto que ouve-se até hoje, nas rádios de bom gosto.
Mas Dick queria mais, muito mais. Seu "papa" era Frank Sinatra, "The Voice". Nele se inspirava para cantar, gesticular, andar no palco, estar sempre de gravata e cabelo bem penteado. Já o chamavam de "O Sinatra Brasileiro" e havia até um Fan Clube, de carteirinha e tudo: "Sinatra-Farney Fan Club".
Aos vinte e cinco anos foi para os Estados Unidos para tentar cantar e gravar em inglês, levando um contrato inicial de cinqüenta e duas semanas com a Cadeia de Radio NBC. E não é que deu certo? Gravou um grande sucesso da época: "Tenderly". Nos dois anos seguintes a Continental lançou outros sucessos, clássicos como "Ser ou não ser", "Marina" e "Esquece".
Eram os anos 1947 e 1948, quando voltou para o Brasil – não sem antes ser elogiado pessoalmente pelo maior cantor do século: Francis Albert Sinatra. Como escreveu Ruy Castro, em relação a Frank Sinatra, ouso repetir a frase com relação a Dick Farney: "Não creio que o século vinte tenha fundos para resgatar sua dívida emocional para com Dick Farney". Ele emocionou milhões de corações com "Somos Dois", "Marina", "Copacabana", "Nick Bar", "Aeromoça", "Não tem Solução", "A saudade mata a gente", "Tereza da Praia", "Uma loira", "Um Cantinho e Você" e tantas outras belezas!
Os bronzeados
rapazes de Copacabana
Em 1956, pressionado pela familia, Menescal teve que "deixar a boa vida" de pesca submarina, violão e milk shake. E veio o conflito natural de todo jovem: a escolha da profissão. Não sabia se, continuando a tradição familiar, faria o vestibular para Arquitetura, se entrava para a Marinha (onde havia muitos "barquinhos" e muito peixe pra pescar), ou continuava a aprender violão com o Edinho, do Trio Irakitan, para desgosto dos pais.
Roberto Menescal
Falsificando a carteira de estudante, começava a invadir os lugares da noite carioca, fascinado pelo Tito Madi e pela Sylvinha Telles.
Fascinado também pelo disco "Julie is her name", onde um tal de Barney Kessel "destroçava" um tremendo violão!
Preocupados, os pais observavam o fanatismo do Menescal, que cursava o último ano do Curso Científico do Colégio Mello e Souza, na Rua Xavier da Silveira.
Ele soube que no Colégio Mallet Soares, na mesma rua, um tal de Carlos Lyra já tocava violão por cifra, quase profissional. Muitos alunos, e até professores, "matavam aula" pra ouvir o violão do Carlos Lyra, que já gravara duas músicas. Sem o conhecimento dos pais, Menescal rapidamente pediu transferência para o Mallet Soares. Queria ficar perto do mestre das harmonias.
Era 1956. Os pais de Menescal, como todos os pais, não aceitavam o violão, de jeito nenhum. Era "instrumento de boêmio irresponsável". E, coitado do Menescal, que não tinha nada de boêmio. Não fumava. Só bebia milk shake. Com a mesada cortada pelos pais preocupados, o nosso Menescal teria que virar-se. Sem dinheiro para o milk shake, propôs ao Carlinhos Lyra abrirem uma Academia de Violão. Mais que depressa, Carlos Lyra aceitou, louco pra se livrar dos desvelos de sua super-mãe.
Histórias no apartamento da Rua Sá Ferreira
João Paulo, amigo de Carlos Lyra, tinha um pequeno apartamento na Rua Sá Ferreira, para "encontros furtivos".
Sabendo que os dois "professores" planejavam montar uma Escola de Violão propôs-lhes o seguinte:
- Vocês me pagam 10% do que receberem dos alunos e a "Academia" pode começar. Fica estabelecido que os "encontros" estão automaticamente suspensos.
Negocio fechado. E o que parecia uma aventura começou a dar bons frutos. Aluno não faltava, só que a grande maioria era composta de alunas. As mães zelosas começaram a desconfiar do repentino interesse de suas filhas pelo violão. E logo souberam da verdade: Os professores eram "dois tremendos boas pinta".
Mas… negócio é negócio e os professores faziam questão de manter a Academia nos rígidos padrões de respeito às alunas, principalmente o Roberto Menescal.
Sucesso absoluto. Em poucas semanas já havia quase cinqüenta alunas, inclusive a Nara Leão, em cujo apartamento aconteciam as reuniões tão famosas.
Carlinhos Lyra, que já tinha composto sua primeira música [e letra], "Quando chegares" [1954], tinha na praça as músicas "Menino" e "Foi a noite", gravadas pela Silvinha Telles. Ficou independente das "mesadas maternas".
Enquanto dava aulas de violão, Carlos Lyra , em 1956, "estoura" com seu primeiro grande sucesso: "Maria Ninguém". Mal sabia que seria uma das músicas favoritas de Jaqueline Kennedy que cantava "Maria Nobody"!
Daí em diante foi só sucesso. O mestre Tom Jobim afirmava que Carlos Lyra era autor das melhores harmonias. Em 1962 ele estava no famoso Concerto de Bossa Nova, no Carnegie Hall, de Nova York. Uma tremenda desorganização que fez a Bossa ultrapassar fronteiras e ganhar o mundo. Nesse mesmo ano compõe com o mestre Vinicius o musical "Pobre Menina Rica".
Carlos Lyra perguntava ao Vinicius de Moraes:
- Mas, Vinicius, como pode uma menina da Vieira Souto se apaixonar por um mendigo?
E o nosso "poetinha" retrucou:
- É primavera! É primavera!
Nesse musical estão duas obras primas de poesia e música: "Minha namorada" e "Primavera". Sem dúvida, duas das mais belas obras da nossa MPB.
Ronaldo Bôscoli encontra
Roberto Menescal e começa uma parceria de primeira qualidade
Era 1956. Numa roda de violão, na Gávea, Menescal encontrou um grupo de rapazes cantando "coisas diferentes". Um deles tentava cantar músicas de Dick Farney, o que já era atestado de bom gosto. Era um repórter do jornal "Última Hora" chamado Ronaldo Bôscoli. E cantava muito mal. Conversa vai, conversa vem, viram que tinham muita coisa em comum: Detestavam a tristeza das músicas que à época pareciam "dor de cotovelo". A exemplo de Dick Farney, adoravam Frank Sinatra. O forte do Menescal sempre foi a música. O do Bôscoli, a letra.
Marcaram um encontro que não houve, mas no segundo, na casa de Nara, os dois disseram "presente". Já era 1957 e a "Academia do Violão" estava fechada,"por motivo de força maior".
Ronaldo Bôscoli levou Chico Feitosa, (com quem dividia um apartamento) às famosas reuniões em casa de Nara. Chico já era parceiro de Bôscoli na canção "Fim de noite" e o nosso Ronaldo acabou instalado na casa de Nara, graças à extrema bondade dos pais da futura "musa da bossa nova". Ele tinha 28 anos e ela apenas 20. Nara e os pais se encantaram com o hóspede. Charmoso, inteligente e, como ela, muito tímido, o que aumentava a atração. Já saíam juntos, sem receios dos pais. Sabiam que em sua companhia ela não corria riscos.
A essa altura Carlinhos Lyra e Menescal reuniram suas economias e reabriram a Academia. Novo sucesso: 200 alunas! E quando o Menescal apresentou Carlos Lyra ao Ronaldo Bôscoli, aí sim, a Bossa Nova começou a ficar mais rica, em quantidade e qualidade de poetas, cantores e compositores. E começou o sucesso: "Se é tarde me perdoa", "Lobo Bobo". E a Academia prosperava, já com um terceiro professor: Normando Santos. E a turma da casa de Nara aumentou mais ainda, com a chegada dos irmãos Castro Neves, Mário e Oscar, dois "ases" em música instrumental.
Nara Leão, seu talento,
sua voz e seus lindos joelhos
Nara Leão
Dr. Jairo Leão e sua mulher, dona Tinoca, eram do Espírito Santo, mas foi aqui no Rio que sua carreira de advogado teve êxito.
Tinham duas filhas: Danuza, a mais velha, e Nara, que nasceu em 19 de janeiro de 1942 e veio para o Rio aos dois anos. Tinha apenas quatorze quando a Bossa Nova entrou na sua vida. Era 1956.
O "Cursinho de Violão" recebeu uma nova aluna: Nara Lofego Leão.
Ao contrário do pai de Menescal, o Dr. Jairo tinha uma outra opinião no que diz respeito ao famoso instrumento. Mesmo antes de existir a escola de violão, Nara já possuia um violão e um famoso professor: Patricio Teixeira, que dava aulas em sua casa. Levava nítida vantagem em relação às colegas de classe, claro.
Foi Ronaldo Bôscoli quem descobriu a beleza dos seus joelhos.
Escreve ele:
"Chegando lá, toquei a campainha e quem me recebeu foi a própria Nara. Estava de shortinho curto, deixando inteiramente a descoberto seus joelhos redondinhos, que foram objeto de muitas poesias, crônicas e suspiros gerais."
Nos últimos anos de 1950, trabalhava como repórter, num jornal do Rio. Estreou profissionalmente em 1963, cantando no musical "Pobre Menina Rica", de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra. Gravou duas faixas no disco de Carlos Lyra "Depois do Carnaval": "É tão triste dizer adeus" e "Promessas de você". No ano seguinte, em 1964, gravou seu primeiro LP: "Nara". Um disco muito polêmico, porque misturou Bossa Nova com samba de morro que "não tinha nada a ver".
No fim daquele ano gravou o famoso "Opinião" e participou do show-protesto. Como Carlos Lyra, Nara era o que se chamava uma cantora "politicamente engajada". Em 1965 convidou uma nova cantora, Maria Bethânia, para substituí-la no show. Tornou-se, assim, descobridora da famosa cantora baiana.
1966 foi um ano de grandes sucessos: "A Banda", de Chico Buarque e "Disparada" de Geraldo Vandré. "A Banda" dividiu com "Disparada" o primeiro lugar no II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record. Sucesso fulminante. O compacto vendeu 55 mil cópias em apenas quatro dias.
Um tumor, localizado em seu cérebro, causou sua morte em 7 de junho de 1989. Ela resistiu quase quatro anos.
Antônio Carlos Jobim
A Bossa Nova já nasceu abençoada por Deus. Teve a participação brilhante do maestro Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim – ou simplesmente Tom Jobim.
Tom Jobim em seu apartamento
É unanimidade nacional: Tom foi a figura mais importante da música brasileira, em toda a sua história, só comparável a Villa-Lobos, a quem admirava profundamente. Conhecido e reconhecido em todo o mundo, Tom havia mudado de endereço, indo morar em Copacabana.
Em 1954, Tom retornou a Ipanema, para famoso endereço: Rua Nascimento Silva,107 apartamento 201. Foi nele que, em parceria com Vinicius de Moraes, compôs o clássico "Se todos fossem iguais a você", em 1956. Em 1957, compôs outro clássico, "Chega de saudade" e reencontrou João Gilberto. Alguns pesquisadores acham que daquele encontro resultou a Bossa Nova. Vinicius de Moraes concorda, mas o tema é muito controvertido. Em 62 Tom veio morar perto de mim, aqui na Rua Barão da Torre, também número 107 e aqui ficou até 1965. Naquele ano recebeu um bom dinheiro de direitos autorais e comprou uma casa na Gávea, na Rua Codajás, deixando (fisicamente) Ipanema para sempre. Mas Ipanema, e não Copacabana, é o berço da Bossa Nova. Escreve Ruy Castro em "Ela é Carioca":
"…embora a vitrine da Bossa Nova fosse Copacabana, o coração musical do movimento estava em Ipanema. Foi aqui que ele compôs, com Newton Mendonça, "Foi a Noite", "Caminhos Cruzados", "Discussão", "Domingo Azul do Mar", "Meditação", "Desafinado" e "Samba de uma nota só". Aqui ele compôs, com Dolores Duran "Estrada do Sol", "Se é por falta de adeus" e "Por causa de você".
Em Ipanema ele compôs "Eu sei que vou te amar", "A felicidade", "Insensatez", "Agua de Beber", "O amor em Paz", "Por toda a minha vida", "O grande amor", "O morro não tem vez", "Ela é Carioca", "Garota de Ipanema", "Dindi", "Inútil Paisagem", "Samba do avião" e tantas obras primas.
Vinicius de Moraes e o encontro dos gênius da Bossa Nova
Aos quarenta e cinco anos, em janeiro de 1958, Vinicius – o poeta, encontra a semente da Bossa Nova em "Chega de Saudade" – uma das faixas do LP "Canção do Amor Demais", gravado por Elizeth Cardoso. Seu parceiro – o maestro maior – foi Tom Jobim. A Bossa Nova nascia privilegiada. Três "monstros sagrados". Já podia-se ouvir a batida do violão de João Gilberto. De repente um diplomata foi promovido a guru de um movimento musical. E não parou mais de escrever maravilhas.
Entre 58 e 65 produziu, com Tom Jobim, cinqüenta títulos, quarenta com Baden Powel, trinta com Carlos Lyra e vinte com Edu Lobo.
A rigor pode-se dizer, sem medo de errar, que a mudança radical da poesia na MPB começou com Vinícius de Moraes. A mulher traidora, vulgar, vilã e vagabunda cedeu o lugar à garota bonita cheia de graça, à mulher amada e linda. A mulher rejuvenesceu, deixou de ser vamp. Passou a ser graciosa.
Foi a dupla Tom-Vinicius que universalizou a Bossa Nova.E, pasmem, foi muito criticada por alguns críticos "de mal com a vida". A Bossa foi acusada de influência americana, quando, ao contrário, influenciou e contagiou a música de Tio Sam.
Nara Leão e Vinicius de Moraes
Baden Powel, a Bossa Nova
enriquece e ganha o maior violonista do país
Roberto Baden-Powell de Aquino, ou simplesmente "Baden Powell" nasceu numa cidadezinha do interior fluminense chamada "Varre-e-sai" em 6 de agosto de 1937. Veio para o Rio em 1955 indo morar em São Cristovão.
Neto e filho de músicos, o garoto herdou o talento e a genialidade que estarreceram o mundo anos mais tarde. Seu primeiro violão foi "roubado" de uma tia e seu primeiro professor foi o Meira – violonista da orquestra de Pixinguinha.
Baden começou a tocar profissionalmente no Cabaré Brasil e, mais tarde, na boite do Hotel Plaza, onde se reuniam os primeiros "bossanovistas". Seu primeiro sucesso foi "Samba Triste", composto em 1959, em parceria com Billy Blanco.
Escreve Luiz Carlos Maciel: "Para mim, Baden Powell é o maior compositor da genuína música popular brasileira – ninguém faz uma seresta moderna melhor que ele. Toca tudo que é possível e toca melhor do que todo mundo. Ninguém harmoniza melhor do que Baden. Ninguém. Eu o conheci através de Dolores Duran, no Beco das Garrafas, no Little Club… tenho quase certeza de que fui eu quem o aproximei de Vinicius de Moraes."
Baden Powel
Parecia que "uma química especial" existia entre os dois. Ficavam dias inteiros tentando encontrar o fim de uma canção! A primeira parceria foi "Samba em Prelúdio". E se seguiram mais de 50 clássicos. Baden teve muitos parceiros poéticos, inclusive Paulo Cesar Pinheiro. Desse ultimo, eu gosto muito de "Violão Vadio" que Eliseth interpreta magistralmente. O longo período em que viveu na Europa fez com que seja muito mais conhecido naquele continente, principalmente na França e na Alemanha.
É, sem dúvida, o maior violonista do Brasil em todos os tempos, não só pela técnica, mas pela capacidade de criar. Ninguém criava acordes mais lindos. Baden suplantava a todos.
Leia também
Adicionado em: Música




1. jessica salvador dos santos | 22/9/2008 às 20:48
A Bossa Nova e um mito na história do Rio de Janeiro como na do Brasil, Vinicius, João Gilberto
e outros
2. karla acioli | 5/11/2008 às 7:01
Olá galera…
Vim aqui só para fazer uma pesquiza sobre o assunto…Muito maneiro…Interessant porém muito complexo…
Ainda não foi o que eu busquei! mai vlw xau!
Deixe o seu comentário
Trackback this post | Subscribe to the comments via RSS Feed