“O que não é medido não é gerenciado”
Muitos amigos me perguntam quais os verdadeiros princípios por trás do Balance Scorecard, mesmo tendo a oportunidade de participar de um projeto de BSC, o assunto é amplo e está muito além de medidores de performance financeira.
O que é o Balanced Scorecard ?
BSC é uma nova abordagem para administração estratégica,
desenvolvida por Robert Kaplan e David Norton em meados de 1990.
Reconhecendo algumas fraquezas e incertezas da abordagem prévia da administração, a abordagem do BSC provê uma prescrição clara sobre o que as empresas deveriam medir para equilibrar a perspectiva financeira. É um sistema de gestão – não apenas um sistema de medidas – que habilita as organizações a clarear sua visão e estratégia e traduzi-las em ações.
O modelo tradicional de medidas financeiras, entretanto, não é
abandonado, ele relata acontecimentos passados numa abordagem
da era industrial, mas não inadequadas para orientar e avaliar a
trajetória das empresas na era da informação. O BSC complementa essas medidas do passado com medidas dos vetores que derivam da visão e da estratégia da empresa e que impulsionam o desempenho futuro. A estrutura do BSC é formada por quatro perspectivas:
Financeira, Cliente, Processos Internos e Perspectivas de Aprendizado e Crescimento. O BSC sugere que a empresa seja vista a partir dessas perspectivas e para desenvolver medidas, colete dados e os analise sobre o foco de cada perspectiva.

Perspectivas do BSC
Fonte:Kaplan e Norton: A estratégia em ação. p. 10
Chiavenato, 1999, descreve as etapas das organizações no decorrer do século XX, identificando três eras: a primeira, industrialização clássica, vai de 1900 a 1950, cuja estrutura organizacional predominante era burocrática, funcional, piramidal, centralizadora, rígida e inflexível. A segunda, de 1950 a 1990, era da industrialização neoclássica, predominando uma estrutura mista, matricial, com ênfase na departamentalização por produtos ou serviços. A terceira, após 1990, entramos na era da informação.
Aqui se predomina uma estrutura fluida, ágil e flexível e totalmente descentralizadora, cujo ambiente organizacional lida com turbulências constantes devido às grandes e intensas mudanças. É portanto mutável e imprevisível.
Na era industrial a alocação de recursos era puramente financeiro e físico, utilizava-se de índices financeiros e de produtividade para
mensurar o desempenho das empresas. Essas premissas, no entanto, tornaram-se obsoletas na era da informação. Agora, em um ambiente complexo, para se obter vantagem competitiva é preciso muito mais.
Os executivos necessitam hoje de indicadores sobre vários aspectos 2 do ambiente e desempenho organizacional, sem o que não teriam como manter o rumo da excelência empresarial. Os funcionários devem agregar valor pelo que sabem e pelas informações que podem fornecer, esse conhecimento passou a ser um fator crítico de sucesso à medida que as organizações investem, gerenciam e exploram esse
conhecimento.
Nesse contexto, o balanced scorecard oferece a esses executivos os instrumentos de que necessitam para alcançar o sucesso no futuro; traduz a missão e a estratégia das empresas num conjunto
abrangente de medidas de desempenho que serve de base para um sistema de medição e gestão estratégica; continua buscando os objetivos financeiros e inclui os vetores de desempenho desses
objetivos. Mede pois o desempenho organizacional sobre quatro
perspectivas equilibradas: financeira, cliente, processos internos da empresa e, aprendizado e crescimento.
O BSC vai além de medidas de curto prazo, revelando claramente os vetores de valor para um desempenho financeiro e competitivo
superior e a longo prazo. Os executivos precisam reconhecer esses vetores do sucesso a longo prazo, cujos objetivos e medidas
utilizadas no BSC não se limitam a um conjunto de desempenho
financeiro e não-financeiro, mas derivam de um processo hierárquico top down norteado pela missão e estratégia traduzida em objetivos e medidas tangíveis. As medidas representam o equilíbrio entre indicadores externos, voltados para acionistas e clientes, e as medidas internas dos processos críticos de negócios, inovação, aprendizado e crescimento. Há um equilíbrio entre as medidas de resultado passado e futuro.
Por onde começar
O processo de BSC é um trabalho de equipe da alta administração que deverá trilhar os seguintes passos:
- primeiro: traduzir a estratégia em objetivos estratégicos
específicos;
- segundo: estabelecer metas financeiras;
- terceiro: deixar claro o segmento de cliente e de mercado a que está competindo;
- quarto: identificar objetivos e medidas para seus processos
internos que é a principal inovação e benefício do scorecard. - Destacar os processos mais críticos para obtenção de
desempenho superior para clientes e acionistas. Em geral, essa identificação revela processos internos totalmente novos nos quais a organização deve buscar a excelência para que sua estratégia seja bem sucedida;
- finalmente, as metas de aprendizado e crescimento, expõem os motivos para investimentos na reciclagem de funcionários, na tecnologia disponível e nos sistemas de informações gerenciais que vão produzir inovações e melhorias significativas para os processos internos, para clientes e para acionistas.
O processo de construção de um BSC esclarece os objetivos
estratégicos e identifica um pequeno número de vetores críticos que determinam os objetivos estratégicos. Por ser um trabalho de equipe de altos executivos, o resultado é um modelo consensual da empresa inteira para o qual todos prestam sua contribuição.
Implantando a cultura BSC
A empresa deve usar de todo seu meio interno de comunicação para levar a idéia do balanced scorecard a toda força de trabalho, utilizando quadro de avisos, e-mails, palestras, newsletters. O BSC deve ser “martelado” diariamente nas cabeças das pessoas para que sua essência faça parte da empresa e das pessoas que nela trabalham.
Mesmo sendo um trabalho top down deve haver o envolvimento de todos para conhecerem os objetivos críticos que devem ser alcançados, para que a estratégia da empresa seja bem sucedida.
A partir do momento em que todos os funcionários compreendem os objetivos e medidas de alto nível, eles se tornam capazes de estabelecer metas locais que apóiem a estratégia global da organização e ao mesmo tempo, comunica e obtém compromisso de executivos e diretores com a estratégia estabelecida.
Incentiva o diálogo entre os setores, gerentes e diretores em relação a objetivos financeiros e em relação à formulação e a implementação de uma estratégia destinada a produzir um desempenho excepcional no futuro.
É preciso que todos na empresa tenham adquirido uma clara
compreensão das metas de longo prazo, bem como da estratégia adequada para alcançá-las, e todos os esforços e iniciativas estarão alinhados com os processo de mudança necessários.
Alinhando iniciativas estratégicas
O BSC estimula a mudança, uma vez que seu maior impacto está na indução dessa mudança. As metas devem ser estabelecidas entre três a cinco anos que, se alcançadas, transformarão a empresa de maneira quase radical. São projetados também marcos de referência para cada medida no próximo ano fiscal e até onde pretendem ir durante os doze primeiros anos do plano.
As melhores práticas do mercado devem ser incorporadas à empresa pelo processo de benchmarking. Uma atenção deve ser dada às metas internas para verificar se elas não aprisionam o setor num nível inaceitável de desempenho estratégico. Após o estabelecimento de metas para as quatro perspectivas – financeira, clientes, processos internos e aprendizado e crescimento – a direção estará em condições de alinhar suas iniciativas estratégicas de qualidade, tempo de resposta e reengenharia para alcançar os objetivos extraordinários.
O BSC oferece a justificativa principal, o foco e a integração para melhoria contínua, a reengenharia e os programas de transformação. Não se limitando ao redesenho de qualquer processo local, os esforços são dirigidos à melhoria dos processos críticos para o sucesso estratégico da empresa.
O processo gerencial de planejamento e estabelecimento
de metas permite que a empresa:
- quantifique os resultados pretendidos a longo prazo;
- identifique mecanismos e forneça recursos para que os
resultados sejam alcançados;
- estabeleça referenciais de curto prazo para as medidas
financeiras e não-financeiras do scorecard.
Melhorando o aprendizado estratégico
O aspecto mais inovador e importante do BSC é a incorporação do
aprendizado estratégico que cria instrumentos para o aprendizado
organizacional em nível executivo. Monitora e ajusta a
implementação da estratégia e, se necessário, efetua mudanças na própria estratégia. Outro fator importante é que as revisões
gerenciais passarão a examinar minuciosamente se as metas estão
sendo alcançadas, deixando de analisar o passado para aprender
sobre o futuro.
O inicio do aprendizado estratégico está no esclarecimento de uma
visão compartilhada que a empresa, como um todo, deseja alcançar (vide iamgem).
No processo de comunicações e alinhamento, mobiliza todos os
indivíduos para ações dirigidas à consecução dos objetivos
organizacionais. O BSC induz o raciocínio dinâmico: as pessoas vêem onde as peças se encaixam; como seus papéis influenciam outras pessoas e a própria empresa.
O processo de planejamento, estabelecimento de metas e iniciativas estratégicas define metas específicas e quantitativas de desempenho desejadas e os níveis atuais determinam o hiato de desempenho que deverá ser o alvo de novas iniciativas estratégicas.
Referências bibliográficas
CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à administração. Rio de
Janeiro: Campus. 2002.
KAPLAN, Robert S. e NORTON, David P. A estratégia em ação. Rio
de Janeiro: Campus, 1997.
Quer saber um pouco mais, visite :
http://www.balancedscorecard.org/basics/bsc1.html
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Adicionado em: BI-SAP




1. igor | 30/5/2008 às 16:19
BOA TARDE !!!
Gostaria de saber explicações mais a fundo do processo interno do bsc!!
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